CIÊNCIA

Astrofísicos questionam a aceleração da expansão do Universo

Novo estudo sugere que a expansão pode estar desacelerando, desafiando conceitos estabelecidos na cosmologia.

Por Sputnik Brasil Publicado em 25/07/2026 às 07:24
Pesquisa sugere que a expansão do Universo pode estar desacelerando, desafiando teorias atuais. © Foto / NASA, ESA/Hubble e Hubble Heritage Team

As conclusões sobre a aceleração da expansão do Universo podem ser o resultado de um efeito sistêmico não medido. Na verdade, a expansão estaria gradualmente desacelerando, aponta um artigo no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, que se concentra em uma das pedras angulares da cosmologia moderna: a energia escura.

A expansão do Universo é conhecida desde 1929, quando Edwin Hubble observou estrelas pulsantes. Na década de 1990, as observações de estrelas variáveis de um tipo especial — supernovas Ia — mostraram que essa expansão ocorre com aceleração. Para explicá-la, os cientistas tiveram que introduzir o conceito de energia escura, escreve Phys.org.

Em um novo artigo, o professor Subir Sarkar, da Universidade de Oxford, e colegas mostraram que os defensores da expansão acelerada não levam em conta um efeito de supernova antiga que vira tudo de cabeça para baixo. Para a análise, os autores usaram o mais atualizado dos catálogos disponíveis, o Pantheon+, que inclui 1.701 supernovas e incorporaram muitos dos pontos de vista dos críticos sobre suas propostas.

Um deles se mostrou particularmente importante. Um grupo de pesquisadores da Universidade Yonsei, em Seul, acumulou dados indicando que os tipos de supernovas Ia não são tão confiáveis quanto se pensava anteriormente — elas parecem mais tênues quando explodem nos estágios iniciais da vida galáctica. Como a luz leva tempo para chegar até nós, vemos galáxias distantes como elas eram em uma idade muito jovem. Se essas galáxias jovens são realmente sistematicamente mais tênues, os cosmólogos superestimam as distâncias até elas e, portanto, a velocidade da expansão do Universo.

"Há evidências crescentes de que o brilho das supernovas do Tipo Ia depende da idade das estrelas de onde elas vêm", disse Sarkar, coautor do estudo. "Se este efeito não for contabilizado, pode levar à conclusão errada de que o ritmo de expansão está acelerando."

Quando Sarkar e seus colegas incluíram a correção do grupo de Seul em sua análise, concluíram que a expansão do Universo pode não estar acelerando (e até mesmo diminuindo ligeiramente). Portanto, a energia escura não seria mais necessária, explicam os pesquisadores.

O trabalho de Sarkar e seus colegas toca apenas em uma peça de evidência a favor da energia escura, e isso "não é suficiente para derrubar o paradigma estabelecido", discorda o professor Joshua Frieman, do Laboratório Nacional de Aceleradores do SLAC.

"Temos evidências confiáveis de aceleração cósmica a partir de uma variedade de fontes independentes, outros catálogos de supernovas, dados de estrutura em larga escala e radiação cósmica de fundo em micro-ondas, e não acredito que esses resultados os questionem", resumiu ele.

Por Sputinik Brasil