Rivalidades na África Árabe dificultam união e progresso, afirma especialista
Analista Said Marcos Tenório destaca que tensões entre países comprometem o desenvolvimento da região.
A borda norte da África, banhada pelo mar Mediterrâneo, é composta por cinco países muçulmanos. A partilha da identidade religiosa, no entanto, não configura um alinhamento político automático entre os governos, que carregam rivalidades entre si.
O analista internacional Said Marcos Tenório destaca que o colonialismo europeu destruiu o continente africano, mas rivalidades internas entre nações do norte dificultam o desenvolvimento local.
Tenório explica que as tensões entre Argélia e Marrocos, que mantêm sua fronteira compartilhada fechada, impedem o desenvolvimento de grandes projetos comuns de infraestrutura e o comércio entre os países da região. A rivalidade, por exemplo, impede o acesso rápido de outras nações do norte africano ao oceano Atlântico, que banha o território marroquino.
"A África travou ao longo de séculos uma luta colonial muito forte. O colonialismo europeu destruiu a África e a luta anticolonial africana se assemelha, em certo sentido, com as reivindicações do povo palestino de autonomia, de liberdade, de respeito aos direitos humanos, de questão territorial."
Se, após o colonialismo europeu na África, as metrópoles forneciam a maior rede de apoio ao continente, hoje países de todo o mundo tentam alinhar seus interesses com as nações africanas, que apresentam um enorme potencial de crescimento.
Tenório conta que a Rússia, por exemplo, tem ampliado sua presença no norte da África com cooperação militar, venda e compra de energia, negociação de equipamentos industriais e comércio de cereais.