Debate inédito movimenta corrida ao cargo de Secretário-Geral da ONU
Seis candidatos debatem em Nova York, incluindo cinco representantes da América Latina.
A corrida para suceder António Guterres no cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU) ganhou impulso nesta quinta-feira (24) com a realização de um debate inédito no Salão da Assembleia Geral, em Nova York, EUA.
Os seis candidatos que disputam o posto mais alto da diplomacia mundial responderam, por quase duas horas, a perguntas de diplomatas, altos funcionários da ONU, representantes da sociedade civil e jornalistas.
O evento, que ocorre em meio a tensões geopolíticas e desafios globais como as mudanças climáticas e a reforma do Conselho de Segurança, acendeu os holofotes sobre os rumos da organização para o próximo quinquênio.
Do total, cinco postulantes são da América Latina: o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica; a chilena Michelle Bachelet, que foi presidente do país em dois mandatos e Comissária da ONU para os Direitos Humanos; a equatoriana María Fernanda Espinosa, que presidiu a 73ª sessão da Assembleia Geral e primeira latino-americana a ocupar o cargo; a costa-riquenha Rebeca Grynspan, secretária-geral da agência da ONU para comércio e desenvolvimento; e a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett, atual representante permanente da Guiana na ONU.
O sexto candidato é o senegalês Macky Sall, ex-presidente do país entre 2012 e 2024, que entra na corrida embalado por seu histórico como mediador em crises regionais.
Durante os discursos, os candidatos adotaram tom conciliador, mas apresentaram ênfases distintas em temas como reforma do Conselho de Segurança, o financiamento da organização e o papel da ONU em conflitos atuais, como os da Ucrânia e do Oriente Médio.
António Guterres deixará suas funções em 31 de dezembro de 2026, encerrando dois mandatos consecutivos.
Como funciona a eleição
No dia 30 de julho, os 15 membros do Conselho de Segurança farão a primeira votação indicativa, secreta, para testar as preferências entre os nomes. Esse primeiro teste será seguido por um número indefinido de rodadas adicionais até que um candidato obtenha o mínimo de nove votos, sem sofrer veto de qualquer um dos cinco membros permanentes – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
Uma vez escolhido pelo Conselho, o nome é encaminhado à Assembleia Geral para aprovação formal, e o novo secretário-geral toma posse em 1º de janeiro de 2027.
Embora não seja uma regra escrita, a tradição do rodízio geográfico entre as regiões do planeta aponta que é a vez da América Latina e do Caribe de reivindicar o posto, o que coloca os quatro candidatos da região em vantagem teórica sobre o senegalês Macky Sall, mas o poder de veto dos cinco membros permanentes pode subverter a lógica regional.