Ibovespa encerra semana em leve alta, mas cai 1,5% na sexta-feira
Queda foi influenciada por falta de liquidez e perdas em ações do setor financeiro e de commodities.
A Bolsa fechou a sexta-feira, 24, em queda, fragilizada pela falta de liquidez e sob o peso das perdas das ações ligadas a commodities e setor financeiro. Na semana, houve alta apenas na quarta-feira, mas suficiente para garantir leve ganho semanal.
O sinal negativo prevaleceu no índice durante todo o dia, como mostra a máxima, estável, de 176.719,62 pontos. O Ibovespa se ressentiu não somente do recuo do petróleo como também da falta de fluxo, que deixa o mercado mais sujeito à volatilidade, penalizando principalmente os bancos. As bolsas americanas também não serviram de inspiração e fecharam no vermelho. Dow Jones caiu 0,38%, Nasdaq cedeu 2,13% e S&P 500 recuou 0,61%.
"Juntando Vale, Petro e bancos apanhando, o Ibovespa vai para baixo", resumiu Pedro Galdi, analista da AGF, destacando que mesmo as ações cíclicas tiveram um dia ruim, apesar da queda dos juros futuros. "O cenário hoje é uma sexta-feira tenebrosa", avalia.
Contaminadas pelo petróleo, Petrobras PN e ON cederam 1,72% e 2,36%, "devolvendo um pouco da gordura, pois haviam subido bastante", diz Galdi. A commodity reagiu a informações apuradas pela Reuters de que o Paquistão está explorando um caminho para a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, que estão paralisadas, numa iniciativa liderada pela China. Essa perspectiva deu a senha para uma realização de lucros, após o barril do Brent ter fechado nos US$ 100 na quinta-feira, mas a percepção é de que se trata de uma melhora frágil, dada a continuidade das ações militares de EUA e Irã no Golfo Pérsico. Tanto que na semana a commodity acumulou alta.
"Esses conflitos geram uma forte volatilidade nos contratos de petróleo e aumentam substancialmente a aversão ao risco do investidor estrangeiro. Em cenários de incerteza como esse, ocorre um movimento de fuga de capital", afirma a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, explicando que, assim, os investidores tendem a liquidar suas posições em mercados emergentes e mais voláteis, como o Brasil, e migrar recursos para o mercado americano, buscando a segurança do dólar e dos Treasuries.
Ao mesmo tempo, Vale (-0,58%) esteve debilitada pelo recuo, ainda que moderado, do minério de ferro. "Já os bancos estão caindo por causa da saída de fluxo estrangeiro", disse o analista Pedro Galdi. Itaú Unibanco cedeu 1,08% e Bradesco PN, -1,28%.
O mercado também monitorou o noticiário relacionado à nova tarifa, de 12,5%, aplicada pelos EUA a produtos brasileiros dentro das investigações sobre falhas na proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado. A medida, de certa forma, era esperada e não chegou a pesar diretamente na Bolsa, mas o risco de que o governo brasileiro aplique a Lei de Reciprocidade preocupa.
Na quinta-feira, o governo indicou que vai estudar o uso da Lei, mas o Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou que isso é parte de uma estratégia para demonstrar aos norte-americanos que está disposto a adotar medidas mais drásticas, mas não necessariamente que esse será o caminho adotado.
O Ibovespa fechou em queda de 1,52%, na mínima de 174.041,95 pontos, mas conseguiu acumular variação positiva na semana, de 0,19%. O giro financeiro foi bastante fraco, de apenas R$ 16,5 bilhões. Em julho, os ganhos do índice são de 1,17% e em 2026, de 8,02%.