ECONOMIA

Novo levantamento revela tarifas sobre exportações brasileiras aos EUA

MDIC aponta que 23,1% das exportações brasileiras estão sujeitas a novas tarifas dos Estados Unidos.

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/07/2026 às 17:32
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou nesta sexta-feira, 24, que, conjuntamente, as novas tarifas dos Estados Unidos anunciadas neste mês de julho alcançam 23,1% das exportações brasileiras ao país. Outros 52,7% permanecem sem tarifas adicionais setoriais ou específicas contra o Brasil.

Em nota sobre o alcance das medidas tarifárias dos EUA sobre as exportações brasileiras, a pasta detalha que o percentual de 23,1% das vendas do Brasil afetadas é distribuído da seguinte forma:

- 1,9% das exportações são atingidas apenas pela tarifa de 25% (Seção 301-Brasil), abrangendo, entre outros produtos, o açúcar;

- 4,7% das exportações são alcançadas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5% (Seção 301 para 60 maiores parceiros comerciais, por práticas associadas ao trabalho forçado), incluindo, por exemplo, obras de pedra, gesso e considerações semelhantes, minerais, óleos essenciais e produtos de perfumaria, e pescados;

- 16,5% das exportações são alcançadas simultaneamente pelas duas medidas e, portanto, sujeitas à sobretaxa acumulada de 37,5% (sujeitos às duas Seções 301), caso de produtos como máquinas e equipamentos, vários tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Além disso, 24,2% são produtos sujeitos a tarifas específicas, aplicadas, em regra, a todos os países (com base na Seção 232).

Dessa forma, cerca de 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não estão alcançadas pelas sobretaxas setoriais (Seção 232) nem por tarifas amplas ou específicas aplicadas no âmbito da Seção 301, permanecendo sujeitas apenas às tarifas ordinárias norte-americanas. Nessa categoria estão, por exemplo, café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, vários produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose.

A primeira decisão (Seção 301-Brasil) refere-se à investigação específica conduzida pelos EUA em relação ao Brasil. Como resultado, foi exigida uma taxa adicional de 25% para determinados produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. Essa medida entrou em vigor na última quarta-feira, 22, mas não se aplica a mercadorias embarcadas e em trânsito antes desses dados, desde que ingressem em território norte-americano até o dia 29 de julho .

Já a Seção 301 aplicada para os 60 maiores parceiros comerciais refere-se à investigação sobre práticas relacionadas à prevenção e ao combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos. A medida estabelece sobretaxa adicional de 10% ou 12,5% para importações originárias de países que, segundo a avaliação norte-americana, não adotam medidas suficientes para coibir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado.

A tarifa de 12,5% foi aplicada a 41 economias, enquanto a tarifa de 10% foi aplicada a 19 economias. No caso dos produtos brasileiros, a tarifa adicional é de 12,5% , observadas as abordagens e condições previstas pelo governo norte-americano.

Pelas decisões americanas, as sobretaxas de 12,5% (ou 10% ) e de 25% ao amparo da Seção 301 se acumulam quando incidentes sobre um mesmo produto. Por outro lado, essas tarifas não se aplicam a mercadorias sujeitas a medidas tarifárias setoriais impostas com base na Seção 232 da legislação norte-americana, aplicável, em regra, a todos os países e incidentes sobre produtos específicos.

Desaceleração das trocas comerciais Brasil-EUA

Em nota sobre o alcance das medidas tarifárias dos Estados Unidos nas exportações brasileiras, o MDIC afirmou que os dados do comércio Brasil-EUA indicam uma desaceleração das negociações comerciais entre os dois países, "após os níveis historicamente elevados observados nos últimos anos".

“Esse movimento tem ocorrido em um ambiente de crescente incerteza quanto à política comercial norte-americana, caracterizado pela ampliação do uso de instrumentos tarifários, pela adoção de medidas restritivas e indevidas e por revisões das condições de acesso ao mercado dos Estados Unidos”, diz a nota.

O texto sustenta que a intensificação das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos ocorre em um contexto de perda recente de dinamismo do comércio bilateral. “Após atingirem o recorde de US$ 40,4 bilhões em 2024 , as exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuperaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e mantiveram trajetória de queda ao longo de 2026 , na progressão de sobretaxas exigidas pelos EUA”, diz.

No primeiro semestre de 2026 , as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões , redução de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi influenciado principalmente pela diminuição dos embarques de óleos brutos de petróleo, que registraram retração de 30,4% , e de produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, cujas exportações recuperaram 21,7% .

Como consequência, a participação dos EUA nas exportações brasileiras diminuiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026 . Em termos anuais, a participação norte-americana passou de 12,0% das exportações brasileiras em 2024 para 10,8% em 2025 .

As importações brasileiras de produtos originários dos Estados Unidos também apresentaram retração no primeiro semestre, contribuindo para uma redução de 12,8% na corrente de comércio bilateral.