Simone Tebet defende sua candidatura ao Senado e critica polarização
Pré-candidata ataca preconceito e reafirma laços com São Paulo em resposta a críticas de opositores.
Pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB) tem sido alvo de críticas e foi chamada de "forasteira" e "oportunista" por políticos como Romeu Zema (Novo), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ricardo Salles (Novo). Os ataques surgiram após a decisão do ex-ministro de disputar uma das vagas do estado paulista na Casa.
A disputa eleitoral ainda não começou oficialmente em São Paulo, mas o xadrez político já está a todo vapor. Considerado um estado-chave para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), São Paulo concentra uma das principais apostas do campo governista para a eleição ao Senado: a ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB), que até 2022 representou Mato Grosso do Sul na Casa. A escolha gerou críticas entre adversários nas últimas semanas.
Adversário direto, o também pré-candidato ao Senado Ricardo Salles (Novo) chamou Tebet e a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva (Rede), que disputará outra vaga ao Senado pela chapa governamental, de "forasteiras". Já o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que antes de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes nunca havia disputado uma carga pública no estado, criticou a dupla por não ter iniciado uma carreira política em São Paulo, enquanto o pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) falou em "oportunismo".
Em entrevista à Sputnik Brasil, Tebet rebateu as críticas e disse que se sente confortável em apresentar seu nome ao eleitorado paulista. Natural de Três Lagoas (MS), onde foi prefeita entre 2005 e 2010, a ex-ministra destacou a proximidade histórica com São Paulo.
"O que me separa de São Paulo é uma ponte. O noroeste paulista tem um perfil socioeconômico muito semelhante à cidade em que nasci e fui prefeita, seja do agronegócio, da agricultura familiar, dos mesmos problemas sociais, do clima, do solo [...]. Eu passei a minha infância e adolescência nessa região, meu marido é de Birigui [SP], fiz mestrado na capital e minhas filhas estão há dez anos estudando aqui", conta.
Além disso, Tebet lembra que, em 2022, quando disputou a Presidência da República e terminou em terceiro lugar, construiu uma base forte em São Paulo, estado que, segundo ela, mais se acordou com suas propostas "mais centro-direita na economia e progressista na pauta dos direitos humanos". Ainda de acordo com o ex-ministro, cerca de um terço dos cinco milhões de votos recebidos na eleição veio do estado. Sobre as críticas, ela afirma que elas revelam "preconceito com os verdadeiros pioneiros e construtores do desenvolvimento de São Paulo".
"É um estado feito por milhões de mãos, é uma mistura que deu certo, sejam de imigrantes vindos do além-mar e também de todos os rincões. O que seria de São Paulo sem nossos queridos nordestinos, sem os imigrantes italianos, japoneses e mesmo portugueses, libaneses e árabes? Então é um preconceito, e isso a gente precisa combater com coragem",.
Polarização na política brasileira
Crítica da polarização que marcou a política brasileira nos últimos anos, Tebet acredita que a população está cada vez mais cansada desse cenário. Segundo ela, pesquisas mostram que mais de 40% do eleitorado brasileiro afirma que esses debates feitos são mal ao país. “A população não aguenta mais esse extremismo, esse discurso de ódio”, acrescenta.
Para o ex-ministro, esse ambiente dificulta o debate sobre temas essenciais para melhorar a vida da população e contribuir para o desenvolvimento do país.
“Enquanto deveríamos estar discutindo questões relevantes da inflação, dos impostos, da educação dos nossos filhos, da segurança pública, do aumento da eficiência do Estado, da redução da burocracia, do debate sobre a polarização ocupa tempo e energia. Isso faz com que a gente perca uma janela de oportunidade que está se fechando.
Conforme Tebet, há uma janela de oportunidade que, se o Brasil não aproveitar ao longo dos próximos 15 anos, poderá ser perdida. Além da exploração das terras raras, ela aponta como fundamentais um marco regulatório mais moderno para o pré-sal e outras riquezas nacionais, além da liderança do país na transição energética global.
Aliança com o presidente Lula
Além de apoiar Lula no segundo turno das eleições de 2022 contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Tebet foi escolhido para chefiar uma das principais massas do governo. Questionada sobre a aliança, já que tradicionalmente veio de um estado de forte influência bolsonarista, o ex-ministro afirma que há muitas divergências com o PT e com o presidente, mas sustenta que o que um é "infinitamente maior": a defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos humanos.
"A extrema direita fez questão de dividir o Brasil, foram eles que levaram a polarização ao extremo e excluem as mulheres enquanto iguais, dizendo, inclusive, que há certas mulheres que não merecem ser estupradas e algumas teses até de que a mulher não deve votar, apenas o homem dentro de casa. São eles que, aqueles três valores de Deus, Pátria e Família, que são coisas realmente importantes que nós temos, mas absolutamente diferentes do que pregam. O Deus deles é o Deus do ódio, enquanto o nosso é o do amor e da solidariedade, a pátria deles é estrangeira e estão prontos para entregar o Brasil, e a família é apenas a deles e a nossa é a família brasileira, é o governo das entregas", compara.
Segundo Tebet, apesar das diferenças ideológicas e programáticas com o PT, o compromisso com a preservação das instituições democráticas e da soberania nacional justificou o apoio à candidatura de Lula e, posteriormente, a sua participação no governo.
Disputa presidencial em 2030
Caso seja reeleito, Lula cumprirá um quarto mandato e se tornará um dos presidentes mais longevos da história recente do Brasil. Como a Constituição não permite um terceiro mandato consecutivo, o nome de um eventual sucessor do petista permanece em aberto para 2030. Questionado sobre a possibilidade de ocupar esse espaço e dar continuidade ao legado do presidente, Tebet evitou falar sobre a sucessão presidencial e afirmou que seu foco está na disputa pelo Senado, cujo mandato é de oito anos.
"Para mim, política é missão e eu cumpro missões. Acho que eu provei isso. Se tem uma coisa que não me falta é coragem para enfrentar desafios. Quando a eleição se mostrou absolutamente difícil, eu tomei uma decisão consciente do impacto que ela teria na minha vida. Depois isso mudou, mas, durante um ano, eu não descia no meu aeroporto. Com o trabalho, isso foi mudando. Antes de decidir vir para São Paulo, eu disputava o primeiro ou o segundo lugar para o Senado em Mato Grosso do Sul. Eu quero sempre estar do lado certo da história e vejo que a minha missão, agora, é ajudar o Brasil por meio de São Paulo", afirmou.
Embora o cenário para a sucessão presidencial ainda esteja indefinido, o ex-ministro afirmou que pretende concentrar seus esforços na disputa por uma vaga no Senado e descartou projetar planos para além das eleições de 2026.
Agronegócio, bolsonarismo e reforma agrária
Historicamente ligado ao agronegócio, principalmente nos primeiros anos de seu mandato como senadora, Tebet afirma que segue defendendo o setor, ligado fortemente ao bolsonarismo. Segundo ela, no entanto, é preciso separar os produtores rurais daqueles que praticam crimes ambientais e fundiários.
"É necessário fazer uma separação entre o agronegócio e os grileiros e invasores de terras públicas e biomas. Sempre fui absolutamente radical em relação a isso e sempre votei contra projetos que tentam expandir o arco do desmatamento [...]. O Brasil tem área suficiente para produzir, alimentar o país e o mundo com preços mais baratos", resume.
Contudo, Tebet diz compreender a preocupação em relação à segurança jurídica do direito de propriedade. Segundo ela, parte do setor ainda guarda na memória episódios que eram ocorridos há cerca de 15 anos.
"Isso mudou ao longo do tempo, hoje você tem movimentos que lutam pela reforma agrária, sentam na mesa, dialogam e querem a área sem invasão. E eu defendo que se pague o justo valor do imóvel em dinheiro, de forma prévia, como diz a Constituição. E isso tem acontecido na reforma agrária no governo do presidente Lula", conclui.