Sem dados territorializados, não há adaptação climática no semiárido: caderno propõe inteligência territorial para a Caatinga
1ª edição do ‘Caderno de Recomendações em Dados e Inteligência Territorial’ reúne diagnóstico estratégico e propõe caminhos para ampliar o uso de dados no Nordeste por estados, municípios, universidades, sociedade civil e setor produtivo. O lançamento acontece via live no YouTube do “Fórum Nordeste de Economia Circular” (FNEC) (@NordesteEconomiaCircular), das 9h às 11h30.
A transformação ecológica na região Nordeste passa a depender cada vez mais da capacidade de conectar dados aos mais de 1,7 mil municípios. Para entender como a inteligência territorial pode apoiar a economia nos estados, o Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC), em parceria com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lança no dia 27 de julho, o 1º Caderno de Recomendações em Dados e Inteligência Territorial – material pioneiro no Brasil na aplicação da agenda de dados abertos à economia circular.
Produzido a partir das discussões do III ‘Fórum Nordeste de Economia Circular’, realizado em Fortaleza (CE), o documento consolida recomendações práticas para estados, municípios, universidades, ‘sociedade civil’ e o setor produtivo. Gratuito ao público, o material transforma mais de 60 atividades e ações, distribuídas em dez eixos temáticos, em uma agenda de recomendações voltada à aplicação prática da inteligência territorial.
Aprofundando o debate sobre dados e o desenvolvimento regional, que vem de uma expansão de 2,4% da atividade econômica, divulgado pelo Boletim Macro Regional Nordeste, o caderno apresenta uma análise sobre dados territorializados no apoio à iniciativas de economia circular, adaptação climática e planejamento dos territórios. A publicação reúne recomendações para ampliar a integração de dados, fortalecer indicadores regionais e aproximar informações técnicas das diferentes realidades locais, em municípios mais afastados ou menores da região Nordeste.
Segundo Francisco Alexandre, superintendente da SUDENE, o desenvolvimento regional exige decisões baseadas em evidências e o acesso a dados específicos do território fortalece a transparência e a capacidade de planejamento de políticas públicas para o Nordeste. “A Sudene tem investido na estruturação e disseminação dessas informações por entender que este conhecimento é fundamental para enfrentar desafios relacionados às mudanças climáticas, à economia circular e à redução das desigualdades regionais”, afirma.
O material chega em um momento de avanço das iniciativas voltadas à organização de informações sobre o Nordeste, como a plataforma Data Nordeste, desenvolvida para reunir e facilitar o acesso a dados sobre a região. A publicação também apresenta conexões com agendas de desenvolvimento sustentável, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 9, 12, 16 e 17), o PRDNE 2024–2027 e o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, reforçando a importância da integração de dados para apoiar análises oe decisões relacionadas aos territórios.
Entre as oito propostas operacionais apresentadas pelo caderno estão a criação de uma matriz regional de indicadores territorializados, o fortalecimento de observatórios públicos em linguagem acessível, a capacitação de equipes municipais e o desenvolvimento de metodologias para pequenos municípios e consórcios intermunicipais.
Para Liu Berman, Presidente do Instituto Reinventando Futuros, o caderno foi concebido como um instrumento de apoio para o cidadão e para organizações e profissionais que atuam diretamente nos territórios. “Transformar dados em conhecimento aplicado é um dos caminhos para compreender melhor as características de cada localidade. Para tornar isso possível, reunimos recomendações, roteiros simplificados e kits metodológicos para apoiar instituições, gestores, pesquisadores e principalmente o cidadão no uso da inteligência territorial como ferramenta de planejamento e construção de iniciativas relacionadas à economia circular e ao desenvolvimento regional. É um marco pioneiro para o país e um facilitador imediato para o cidadão”, afirma.
Outro destaque é a aplicação da ‘inteligência territorial’ para a Caatinga. O caderno reforça o papel de ferramentas como geodados, sensoriamento remoto e mapeamentos participativos no apoio a estratégias de planejamento ambiental, gestão hídrica e agricultura resiliente, considerando as características específicas do bioma. A publicação amplia oportunidades para o empreendedorismo orientado por dados em áreas relacionadas à circularidade, resíduos, água e clima, auxiliando o cidadão a lidar com os desafios do bioma e da região a partir de roteiros e kits metodológicos.
“A inteligência territorial contribui para mudar a forma como enxergamos os biomas e seus territórios. No caso da Caatinga, conhecer melhor suas características permite superar análises baseadas apenas em médias regionais e reconhecer diferentes realidades, capacidades produtivas e caminhos de desenvolvimento associados ao próprio território. Ao transformar informações em instrumentos acessíveis para gestores, empreendedores e cidadãos, ampliamos a capacidade de construir soluções mais adequadas às especificidades locais e fortalecer uma transição ecológica que seja, ao mesmo tempo, inclusiva, baseada em evidências e conectada às necessidades reais da população”, conclui Aline Fonseca, consultora estratégica da Waste Data.
SERVIÇO
[Lançamento do 1º Caderno de Recomendações em Dados e Inteligência Territorial]
Quando: 27 de julho, segunda-feira;
Onde: via live no YouTube do “Fórum Nordeste de Economia Circular” (FNEC) (@NordesteEconomiaCircular)
Horário: das 9h às 11h30;
Inscrições pelo Sympla;