POLÍTICA

Irã rejeita proposta de cessar-fogo apresentada pelos EUA

Proposta foi elaborada por Donald Trump e mediada pelo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi.

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/07/2026 às 14:50
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Irã rejeitou na quinta-feira, 23, uma proposta de cessar-fogo elaborada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e apresentou a Teerã pelo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi. A tentativa frustrada de mediação ocorre em meio à ameaça de ampliação da intervenção americana contra o território iraniano e aos novos ataques do Irã contra aliados de Washington no Oriente Médio.

Autoridades iranianas disseram ao jornal The New York Times , sob condição de anonimato, que al-Zaidi visitou o Irã após retornar de um encontro com Trump na Casa Branca, em 14 de julho. Um funcionário iraquiano afirmou ao jornal, também sob condição de anonimato, que o primeiro-ministro teria levado uma proposta a Teerã.

As autoridades iranianas não deram detalhes sobre o conteúdo da proposta, mas afirmaram que ela era a única oferta apresentada até o momento e que o governo iraniano não tinha interesse em um acordo temporário que deixasse em aberto a questão do controle do Estreito de Ormuz.

Após a publicação da reportagem, o gabinete de imprensa de al-Zaidi negou a informação em um comunicado divulgado nas redes sociais, sem fornecer mais detalhes.

A imprensa iraniana informou que al-Zaidi passou a Teerã com uma delegação de altos funcionários para se reunir com o presidente do Irão, Masoud Pezeshkian; o presidente do Parlamento e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf; e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.

Araghchi afirmou à emissora estatal iraniana que Teerã e Bagdá, que compartilham uma fronteira, têm interesses econômicos, políticos e de segurança em comum, além de laços estreitos, e que a visita de al-Zaidi foi significativa diante das situações atuais na região.

O chanceler disse que o primeiro-ministro havia compartilhado suas “opiniões e resultados” sobre a viagem a Washington, mas afirmou que Teerã e Washington já tinham mediadores suficientes. “O problema não é transmitir mensagens. O problema é a postura dos EUA, que é irracional, gananciosa e controladora”, acrescentou.

Novos ataques e expansão do conflito

O Irã e os EUA estão aumentando gradualmente ao longo do esforço nas últimas semanas, com forças americanas bombardeando instalações militares e infraestruturas como ferrovias, aeroportos, pontes e portos marítimos. O Irã, por sua vez, realizou ataques contra aliados americanos no Oriente Médio.

Na manhã desta sexta-feira, 24, as Forças Armadas do Irã afirmaram, em comunicado divulgado pela imprensa estatal, que lançaram ataques com drones contra tanques de combustível, armazéns, silos e quartéis no Bahrein; "hangares de aeronaves, hangares de manutenção e quartéis" na Jordânia; e “depósitos de equipamentos militares americanos” no Kuwait. Não houve relatos de danos ou vítimas nos países.

O Ministério do Interior do Bahrein afirmou que as sirenes de emergência foram acionadas pelo menos duas vezes e pediram à população que se abrigasse. Já as Forças Armadas da Jordânia informaram que seus sistemas de defesa aérea e aeronaves da Força Aérea interceptaram sete missões e seis drones iranianos e que a ação "não foi feita em vítimas nem danos materiais".

No Iraque, forças de segurança lideradas pelos EUA abateram cinco drones carregados com explosivos sobre a cidade de Erbil, no norte do país, onde tropas americanas estão instaladas. Não houve relatos de feridos ou danos. Colunas de fumaça foram vistas próximas e dentro de uma base no aeroporto de Erbil, mas o local continuou funcionando normalmente, segundo a imprensa estatal iraquiana.

Dois funcionários iranianos disseram ao The New York Times que as Forças Armadas do Irã estavam antecipando – e se preparando para – a possibilidade de expansão da guerra caso Trump cumpra suas ameaças de atacar Teerã e infraestruturas críticas.

Segundo as fontes, caso isso ocorra, o Irã ampliará o conflito regionalmente, inclusive com ataques contra Tel Aviv e ao pedir que os rebeldes houthis, aliados do país no Iêmen, fechem o Estreito de Bab al-Mandeb, uma rota estratégica estratégica no Mar Vermelho.

O porta-voz dos houthis, Mohammed Abdusalam, afirmou nesta sexta-feira que o grupo não pretende fechar Bab al-Mandeb, dias após anunciar um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita.

"Não há fechamento de Bab al-Mandeb, como alguns estão indicando", disse Abdusalam, que também é um dos principais negociadores dos houthis. Ele acrescentou que a posição dos rebeldes era “limitada a um bloqueio marítimo que afetava apenas o lado saudita”. (Com agências internacionais).