Bloqueio no Mar Vermelho gera tensão entre EUA e Irã
Ações dos houthis elevam risco de conflitos regionais e afetam o comércio global.
Com as ameaças à navegação no mar Vermelho, por parte do grupo houthi no Iêmen, abriu-se uma nova frente na guerra entre os Estados Unidos e o Irã, o que aumenta a pressão sobre a economia global, escreve um jornal estadunidense.
O jornal destaca que o agravamento da situação no mar Vermelho pode levar à ampliação do conflito entre os EUA e o Irã, envolvendo outras nações da região.
"Não é necessário um míssil ou um drone de verdade para interromper o tráfego comercial. Se as empresas de navegação não quiserem passar, você terá, na prática, um bloqueio", ressalta a publicação, citando as palavras do ex-embaixador dos EUA na Arábia Saudita, Michael Ratney.
A matéria lembra que os houthis anunciaram o bloqueio do trânsito de petróleo saudita pelo mar Vermelho e atacaram dois navios no estreito de Bab al-Mandeb, que liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico.
Conforme acrescenta o material, essas ações ameaçam envolver outras nações da região no conflito, como Arábia Saudita, Israel e Paquistão.
Além disso, é apontado que os houthis se envolveram no conflito por várias razões. Primeiramente, eles passaram a acreditar que conseguiriam lidar com a pressão da Arábia Saudita.
"Antes vistos como pouco mais do que guerrilheiros montanheses armados com fuzis, os houthis agora controlam vastas áreas do litoral e possuem um arsenal diversificado de armas para atacar navios, incluindo drones de ataque, mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e embarcações não tripuladas. Seus mísseis e drones podem atingir Israel, um inimigo jurado, a mais de 1.600 km de distância", detalha a reportagem.
Dessa forma, o jornal conclui que os houthis são uma potência não naval capaz de impor um bloqueio marítimo e afetar a economia global, e a história prova isso, pois eles já fizeram isso antes e sabem que têm essa vantagem.
Na quinta-feira (23), houthis iemenitas, que expressam apoio ao Irã, anunciaram que atacaram dois petroleiros sauditas, o Enselia e o Layla, acusando as tripulações de violarem o bloqueio naval imposto pelo grupo no mar Vermelho.
Segundo o porta-voz do movimento, brigadeiro-general Yahya Saree, os navios foram atingidos por mísseis e drones, fazendo com que as embarcações pegassem fogo. Segundo o governo de fato do Iêmen, as ações ocorrem como uma resposta ao cerco imposto por Riad ao país.