Cuide dos olhos para garantir uma longevidade saudável
Dr. Pedro Leonardo Soriano alerta que o envelhecimento é um dos principais fatores de risco para a saúde ocular; realizar consultas oftalmológicas regulares é fundamental para proteger a visão
No mundo todo, a população idosa tem aumentado mais rápido do que qualquer outra faixa etária. No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, de 2023 a 2024, a expectativa de vida ao nascer cresceu 2 meses e meio, para 76,6 anos. Outro levantamento do órgão, o Censo Demográfico 2022, indica que cerca de 8,5 milhões de brasileiros têm entre 70 e 79 anos, enquanto mais de 4,5 milhões estão com 80 anos ou mais. Mas mais do que longevidade, é importante viver com qualidade.
Nesta fase da vida, cuidar da saúde ocular é fundamental para ter independência, garantir mobilidade, conforto e bem-estar. Nossa visão é responsável por 80% das informações que recebemos do ambiente e possibilita que possamos interagir com o mundo, reconhecer expressões e realizar diversas atividades diárias. No entanto, conforme envelhecemos ocorre um desgaste natural das estruturas dos olhos que, juntamente com os hábitos adotados ao longo da vida, pode afetar nossa capacidade de enxergar com clareza.
O Dr. Pedro Leonardo Soriano, médico oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), alerta que “doenças crônicas como diabetes, hipertensão ou problemas cardiovasculares podem comprometer a saúde ocular". Condições como pressão alta, colesterol elevado ou excesso de glicose danificam os vasos sanguíneos dos olhos. O problema é que, muitas vezes, o dano evolui de forma silenciosa e, sem o tratamento adequado, se torna irreversível”.
Entre as consequências mais comuns estão o glaucoma, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e a retinopatia diabética, doenças oculares que podem evoluir em decorrência de enfermidades persistentes. “Principalmente quando apenas um dos olhos é afetado, os sintomas podem passar despercebidos na fase inicial e causar perda progressiva da visão”, complementa o especialista.
O médico explica que “o próprio envelhecimento pode afetar a capacidade visual. A partir dos 40 anos, o cristalino, lente natural do olho, começa a perder elasticidade, dificultando o foco para leituras e trabalhos manuais. Com o avanço da idade, a produção de lágrimas tende a diminuir e o olho pode ficar seco, com sensação de areia, ardência e vermelhidão. As pupilas passam a reagir mais lentamente às mudanças de luminosidade, causando dificuldade para passar de um ambiente claro para um escuro ou para ver com clareza à noite”.
De acordo com o Dr. Pedro Leonardo Soriano, estes são alguns dos sinais que merecem atenção imediata:
- Visão embaçada ou perda de visão;
- Diminuição da visão periférica;
- Dor intensa nos olhos;
- Vermelhidão persistente;
- Flashes de luz ou aumento repentino de pontos ou fios no campo de visão;
- Distorção das imagens,
- Sensação persistente de corpo estranho ou irritação nos olhos.
O especialista reforça que “a oftalmologia é uma das especialidades médicas que mais evoluiu nas últimas décadas, com tratamentos modernos, cirurgias minimamente invasivas e colírios mais eficazes, além de equipamentos para diagnósticos precisos que permitem identificar doenças em fases muito iniciais”. Ele lembra, no entanto, que “é muito importante que as pessoas busquem atendimento oftalmológico regularmente, mesmo na ausência de sintomas, para garantir o diagnóstico e o tratamento precoce, a fim de preservar a visão”.