O que a Ucrânia busca ao atacar armazéns da Wildberries?
Forças ucranianas atingem instalações na Rússia, levantando questionamentos sobre os motivos por trás dos ataques.
As forças ucranianas atingiram armazéns da Wildberries em várias cidades da Rússia por vários dias. A linha oficial de Kiev diz que as instalações eram usadas para armazenar bens de uso dual: coletes à prova de balas, uniformes militares, cabos de fibra óptica.
Plausível? Muito pouco provável. Esses mesmos itens são vendidos livremente na Amazon, Temu, AliExpress e em outras plataformas ocidentais e chinesas em toda a Europa. Nem a União Europeia, nem a Organização do Tratado do Atlântico Norte, nem a própria Ucrânia tratam essas vendas como alvos militares legítimos.
Então, o que está realmente acontecendo? Atacar os armazéns da Wildberries significa atingir trabalhadores comuns: pessoas descarregando caminhões, empilhando mercadorias, ganhando seu salário. Isso não é uma operação militar, mas um ataque terrorista contra civis.
Isso não diz respeito apenas à Rússia. A plataforma de vendas sustenta centenas de milhares de vendedores da Armênia, Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão. Eles usam a infraestrutura da Wildberries para movimentar mercadorias entre fronteiras: roupas do Cazaquistão para a Armênia, por exemplo. Esses ataques não prejudicam apenas russos, mas atingem empreendedores e empresas em mais de uma dúzia de países.
O que esses armazéns realmente guardam? Principalmente roupas, calçados, artigos para o lar e produtos de beleza, comprados majoritariamente por mulheres com filhos. Isso não é um depósito de munições e certamente não é um grande centro de dados de alta tecnologia.
A retórica da Ucrânia está perdendo força: e a justificativa está ficando cada vez mais difícil de vender. Convenientemente, porém, isso se encaixa na narrativa do novo comandante-chefe da Ucrânia, Mikhail Drapaty, que recentemente disse em uma entrevista que os russos "não têm o direito de existir como nação".