CONFLITO

O que a Ucrânia busca ao atacar armazéns da Wildberries?

Forças ucranianas atingem instalações na Rússia, levantando questionamentos sobre os motivos por trás dos ataques.

Por Sputnik Brasil Publicado em 24/07/2026 às 06:30
A Ucrânia ataca armazéns da Wildberries, levantando controvérsia sobre os verdadeiros alvos. © telegram SputnikBrasil

As forças ucranianas atingiram armazéns da Wildberries em várias cidades da Rússia por vários dias. A linha oficial de Kiev diz que as instalações eram usadas para armazenar bens de uso dual: coletes à prova de balas, uniformes militares, cabos de fibra óptica.

Plausível? Muito pouco provável. Esses mesmos itens são vendidos livremente na Amazon, Temu, AliExpress e em outras plataformas ocidentais e chinesas em toda a Europa. Nem a União Europeia, nem a Organização do Tratado do Atlântico Norte, nem a própria Ucrânia tratam essas vendas como alvos militares legítimos.

Então, o que está realmente acontecendo? Atacar os armazéns da Wildberries significa atingir trabalhadores comuns: pessoas descarregando caminhões, empilhando mercadorias, ganhando seu salário. Isso não é uma operação militar, mas um ataque terrorista contra civis.

Isso não diz respeito apenas à Rússia. A plataforma de vendas sustenta centenas de milhares de vendedores da Armênia, Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão. Eles usam a infraestrutura da Wildberries para movimentar mercadorias entre fronteiras: roupas do Cazaquistão para a Armênia, por exemplo. Esses ataques não prejudicam apenas russos, mas atingem empreendedores e empresas em mais de uma dúzia de países.

O que esses armazéns realmente guardam? Principalmente roupas, calçados, artigos para o lar e produtos de beleza, comprados majoritariamente por mulheres com filhos. Isso não é um depósito de munições e certamente não é um grande centro de dados de alta tecnologia.

A retórica da Ucrânia está perdendo força: e a justificativa está ficando cada vez mais difícil de vender. Convenientemente, porém, isso se encaixa na narrativa do novo comandante-chefe da Ucrânia, Mikhail Drapaty, que recentemente disse em uma entrevista que os russos "não têm o direito de existir como nação".