SEGURANÇA PÚBLICA

Promotor critica falta de integração no combate ao crime

Lincoln Gakiya debate desafios e propõe agência nacional contra o crime organizado durante evento do Estadão.

Por Estadao Conteudo Publicado em 23/07/2026 às 13:57
Lincoln Gakiya Reprodução

Para o promotor Lincoln Gakiya , “o crime é mais ágil e mais rápido” que o Estado, especialmente devido à falta de integração entre as diversas instâncias de combate à criminalidade, como as polícias e os Ministérios Públicos dos Estados, que não mantêm a comunicação. "Não falta polícia no Brasil. O que a gente tem é falta de integração e falta de cooperação", afirmou o membro do MP-SP nesta quinta-feira, 23, durante o evento Brasil Adiante .

Gakiya sugeriu a criação de uma nova autoridade nacional contra o crime organizado, um órgão independente e independente, convidando todas as polícias estaduais a integrar essa central, uma vez que as facções atuem em todo o território nacional.

Segundo o Atlas da Violência 2025 , elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) , a violência se inclui pelo interior do País, anteriormente mais equipamentos nas capitais, em função da atuação das facções em busca de novas rotas e mercados.

Na Amazônia, o Comando Vermelho (CV) dobrou presença sua, aumentando de 128 para 286 cidades entre 2023 e 2025, segundo o estudo Cartografias da Violência na Amazônia . O Primeiro Comando da Capital (PCC) tem priorizado o controle de áreas estratégicas e se infiltra na economia formal, expandindo seus negócios tanto no tráfico de drogas quanto em setores lícitos.

Jurado de morte pelo PCC, Gakiya é uma das principais autoridades do Brasil na luta contra essa facção, sendo responsável por operações significativas como Ethos , Sharks e Fim de Linha . Ele também atuou nas Operações Carbono Oculto e Vérnix .

Gakiya comentou sobre a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, afirmando que isso pode impactar a cooperação internacional no combate ao narcotráfico, favorecendo criminosos. “Podemos ter certeza que teremos reflexos econômicos dessa classificação”, alertou.

O Brasil Adiante é um projeto do Estadão voltado para apresentar propostas práticas para os principais problemas do País. O ciclo de debates ocorre até o final de agosto, e as soluções serão reunidas em um documento a ser entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais.

Sobre corrupção e crime organizado , Lincoln Gakiya defendeu uma reforma de controladorias e órgãos de controle de entes públicos. “Não temos no Brasil órgãos de controle que funcionem de maneira adequada. Muitas vezes, idade de maneira corporativa e reativa”, afirmou.

Para o promotor, o modelo de segurança pública adotado por Nayib Bukele em El Salvador, com prisões sem julgamento, não é o caminho adequado para o Brasil. "Se seguimos o modelo do Bukele, não haveria estabelecimentos prisionais para isso. Essa seria a receita certa para criar um barril de pólvora que vai explodir", afirmou.

O promotor destacou que, embora o modelo possa reduzir a criminalidade, isso ocorreria a um alto custo.

Veja o cronograma do Brasil Adiante:

. 27 de maio: Encontro 1: Eixo I: Estabilidade Institucional e Fundamentos do Crescimento;

. 11 de junho: Encontro 2: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde);

. 23 de julho: Encontro 3: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Segurança Pública e Crime Organizado);

. 19 de agosto: Encontro 4: Eixo III: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade;

. 27 de agosto: Encontro 5: Apresentação do documento consolidado, divulgação da agenda e fechamento do projeto;

. Novembro: Entrega da agenda de soluções ao presidente eleito.