ECONOMIA

Projeções do FMI indicam necessidade de ajuste fiscal no Brasil

O fundo estima crescimento moderado e inflação acima da meta até 2026.

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/07/2026 às 12:46
Projeções do FMI indicam inflação alta e necessidade de ajuste fiscal no Brasil até 2026. © Foto / Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O FMI estima IPCA de 5,6% em 2026, dívida bruta de 97,8% do PIB e alerta que, sem ajuste fiscal, o endividamento pode superar 100% nos próximos anos. O fundo recomenda um esforço de três pontos do PIB até 2031, enquanto projeta crescimento moderado, inflação persistente e riscos externos elevados.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que o Brasil crescerá 2,4% em 2026, impulsionado pela demanda interna e pelos ganhos da posição de exportador líquido de petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.

O relatório, divulgado pela mídia brasileira, também estima inflação de 5,6% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acima da meta de 3%, e dívida bruta de 97,8% do produto interno bruto (PIB).

Apesar da resiliência econômica, o FMI afirma que o país precisa de um ajuste fiscal mais forte para estabilizar a dívida. Sem novas medidas, a dívida pode chegar a 106% do PIB em 2035. No médio prazo, o crescimento tende a se estabilizar em 2,5%, apoiado pela reforma tributária aprovada em 2023.

A inflação só deve convergir para a meta em meados de 2028. O fundo avalia que a postura cautelosa do Comitê de Política Monetária (Copom) é adequada diante das expectativas inflacionárias elevadas. O FMI recomenda que o governo poupe receitas extraordinárias do petróleo, em vez de direcioná-las a subsídios.

O relatório propõe um ajuste fiscal de três pontos percentuais do PIB entre 2026 e 2031 para reduzir a dívida a cerca de 85% do PIB. Entre as medidas sugeridas estão eliminar despesas tributárias ineficientes, desvincular benefícios do salário mínimo e extinguir pisos constitucionais de saúde e educação.

O cenário, segundo o FMI, segue sujeito a riscos negativos. Uma escalada no Oriente Médio pode pressionar preços de energia, elevar a inflação global e manter juros internacionais altos. No Brasil, um ajuste menor que o necessário aumentaria o prêmio de risco e reduziria o investimento privado.

Ainda segundo a mídia, o relatório também destaca mudanças no comércio exterior: a China consolidou-se como principal parceira do Brasil, com 30% das exportações em 2025. Já os EUA elevaram tarifas sobre produtos brasileiros, e desde a conclusão do relatório anunciaram uma tarifa adicional de 25%, além de avaliar nova sobretaxa de 12,5%.

Por fim, o FMI afirma que a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia (UE) pode elevar exportações agrícolas brasileiras em até 14% no longo prazo e aumentar a renda real em cerca de 0,22%.