ENERGIA

Especialista aponta riscos do uso descoordenado de IA para países ocidentais

Konstantin Tserazov alerta sobre o impasse energético causado pela competição descontrolada na inteligência artificial.

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/07/2026 às 11:38
Especialista alerta sobre riscos do uso descoordenado de IA nos países ocidentais. © AP Photo / Martin Meissner

O atual modelo de desenvolvimento de inteligência artificial (IA) por países ocidentais, onde muitas empresas estão desenvolvendo redes neurais semelhantes, ameaça com impasse energético, disse à Sputnik o economista Konstantin Tserazov.

Ele observou que a abundância formal de operadores de IA nos Estados Unidos tem um lado negativo: eles resolvem simultaneamente as mesmas tarefas, por exemplo, treinam modelos semelhantes nos mesmos conjuntos de dados e não coordenam esforços.

"Toda essa arquitetura técnica incômoda dos agentes de IA consiste em milhões de tokens, ou seja, unidades de pedidos, processamento de informações e respostas. No atual modelo de desenvolvimento de IA no Ocidente, com ênfase na introdução impensada e massiva de agentes de IA, um impasse energético virá muito em breve", explicou o especialista.

Atualmente, devido a esse comportamento descoordenado dos participantes do mercado nos Estados Unidos, os processadores na infraestrutura de IA operam visivelmente abaixo da capacidade total.

Na fase de treinamento das redes neurais, elas são carregadas ao máximo, consumindo grandes quantidades de eletricidade, e com mais tempo de inatividade da operação chega a 65% e, em alguns casos, 95%, disse Tserazov.

Para alcançar um bom resultado, as empresas operadoras de IA devem cooperar e trabalhar juntas, mas, nos EUA, isso não funciona assim, acrescentou o especialista.

Ele acredita que a Rússia tem mais chances de avançar para esse modelo de desenvolvimento de inteligência artificial, dado o nível de coordenação em vários projetos econômicos, o que é demonstrado, por exemplo, pela associação BRICS+.

"No âmbito do BRICS+ é possível chegar a um acordo sobre a alocação de esforços para o desenvolvimento de IA, e a Rússia tem algo a oferecer nesse sentido: energia, competências e desenvolvimentos avançados para o avanço efetivo de IA", concluiu o economista.

Nesta terça (21), a vice-presidente da Comissão Europeia para questões de soberania tecnológica, Henna Virkkunen, afirmou que a União Europeia corre o risco de ficar dependente das decisões tecnológicas de países terceiros, em particular dos Estados Unidos, que podem aproveitar essa situação para exercer pressão geopolítica.

Segundo a chefe digital da Comissão Europeia, as recentes restrições dos EUA à exportação de modelos avançados de inteligência artificial da empresa Anthropic mostraram que o acesso a tais tecnologias pode ser usado como uma ferramenta geopolítica.