ARTES

Estudo revela lógica nas pinturas rupestres da Idade do Gelo

Análise das obras na região basca destaca um arranjo visual deliberado e consistente.

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/07/2026 às 10:59
Estudo analisa pinturas rupestres da Idade do Gelo em nove cavernas da região basca. © Foto / Ludovic Slimak, CNRS

Um novo estudo revela que os antigos pintores rupestres da região basca seguiam um projeto visual deliberado ao criar suas obras de arte entre 16 mil e 14 mil anos atrás, escreve a revista Archaeology News.

A revista destaca que as pinturas foram organizadas de acordo com princípios comuns, e não de forma aleatória, indicando um sistema gráfico coerente com uma ordem estrutural deliberada.

"Bisões, cavalos e cabras-monteses constituíam o centro de muitas composições. Outros animais apareciam ao redor deles em papéis coadjuvantes. Os bisões frequentemente ocupavam a posição mais central dentro das redes, embora os cavalos e as cabras-monteses também fizessem parte de um grupo estável que moldava o arranjo geral", ressalta a publicação.

Segundo a reportagem, mais de 500 figuras pintadas em nove cavernas bascas foram analisadas por meio de análise de redes e estatística para examinar a coocorrência, o posicionamento e a orientação direcional.

A direcionalidade seguia regras consistentes: os cavalos normalmente estavam voltados para a direita, enquanto os bisões e a maioria dos outros animais, para a esquerda, com apenas raras exceções.

Esse padrão se repetia em várias cavernas. Em vez de atribuir um significado simbólico, os pesquisadores trataram a arte como um sistema visual e confirmaram sua ordem interna por meio de vários métodos analíticos, incluindo redes e árvores de expansão mínima, observa o material.

Os resultados estão alinhados com observações arqueológicas anteriores, mas contradizem a explicação da lateralidade direita, já que os cavalos, as figuras mais comuns, geralmente estão voltados para a direita. Em vez disso, o estudo aponta para um código gráfico compartilhado, cujo significado se perdeu com o tempo.

Ao disponibilizarem publicamente seus dados e métodos, os autores possibilitam comparações entre regiões e oferecem uma estrutura aplicável a outros sistemas simbólicos antigos, como escritas e inscrições, demonstrando que a arte rupestre da Idade do Gelo, embora de significado enigmático, seguia uma lógica visual clara e estruturada, conclui a reportagem.