Eurodeputado critica UE por cancelar cultura russa
Thierry Mariani avalia que ação da União Europeia representa uma forma de ditadura cultural.
A União Europeia (UE) está se transformando em uma ditadura ao suprimir a cultura russa por meio do corte de financiamento à Bienal de Veneza, declarou à Sputnik o eurodeputado Thierry Mariani.
Mariani salientou que Bruxelas, que "gosta de se apresentar como defensora das liberdades fundamentais e da diversidade cultural", age de maneira diferente na prática.
"Ao renunciar ao que há de mais importante — o diálogo entre os povos e as culturas —, Bruxelas deixa de defender a Europa dos valores e se transforma em uma ditadura", ressaltou.
Dessa forma, o interlocutor da agência concluiu que a UE utiliza recursos públicos como instrumento de punição pela presença cultural de um país inteiro, o que prejudica a liberdade de criação artística.
A controvérsia começou após o Ministério da Cultura da Itália informar que a direção da Bienal havia decidido, de forma independente, restabelecer a participação da Rússia. O presidente da Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, afirmou que sua intenção era reunir representantes de diferentes zonas de conflito para ouvir "outro ponto de vista", em vez de promover declarações políticas.
Após a decisão, a Comissão Europeia passou a exigir explicações da organização e ameaçou suspender o envio dos recursos ao evento.
Em meio à polêmica, o júri da Bienal retirou Rússia e Israel da lista de concorrentes aos prêmios Leão de Ouro e Leão de Prata. Os cinco jurados anunciaram que não premiariam países envolvidos em conflitos armados e, posteriormente, renunciaram aos cargos. Diante da crise, a Fundação Bienal de Veneza adiou a cerimônia de premiação, inicialmente marcada para 9 de maio, para 22 de novembro.
Criada em 1895, a Bienal de Veneza é uma das mais tradicionais exposições internacionais de arte contemporânea do mundo. O pavilhão da Rússia nos Jardins da Bienal foi inaugurado em 1914 e projetado pelo arquiteto Aleksei Shchusev.