Brasil busca integração em voo hipersônico com projeto 14-X
Programa inspirado no 14-Bis tem como meta desenvolver plataforma nacional até 2033.
O Brasil quer integrar o grupo de países que dominam as tecnologias de voo hipersônico por meio do projeto 14-X, da Força Aérea Brasileira (FAB). Inspirado no 14-Bis, de Santos Dumont, o programa recebeu prioridade estratégica no Nova Indústria Brasil (NIB), que prevê uma plataforma nacional de voo hipersônico até 2033.
O 14-X realizou seu primeiro voo-teste em 2021, alcançando mais de 30 quilômetros de altitude e velocidades próximas de Mach 6 (seis vezes a velocidade do som). Atualmente, o foco está no desenvolvimento do motor scramjet e nas pesquisas realizadas no novo Túnel Hipersônico T5.
"O voo hipersônico é importante para o Brasil por representar um avanço científico, tecnológico e de engenharia. Neste momento, acredito que seu principal papel não seja o uso maciço como sistema de defesa, mas o desenvolvimento de tecnologias, a formação de profissionais e o fortalecimento da indústria aeroespacial para atender às demandas desse tipo de projeto", afirma o professor de engenharia aeroespacial Annibal Hetem Junior.
A continuidade do projeto, porém, dependerá da manutenção dos investimentos e da execução do cronograma previsto. "O mais difícil é o desenvolvimento do próprio motor scramjet, que, diferentemente dos convencionais, usa o ar da atmosfera em altíssimas velocidades para a combustão", destaca Erick Andrade, doutor em ciências militares.