CIÊNCIA

Asteroide raro teve papel crucial na extinção dos dinossauros

Estudo indica que combinação de fatores agrava impacto de meteorito há 66 milhões de anos.

Por Sputnik Brasil Publicado em 22/07/2026 às 12:39
Estudo revela que um asteroide raro foi decisivo na extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos. © Shutterstock/FOTODOM / Mikael Damkier

A queda dos dinossauros foi agravada por uma sucessão de fatores de azar: o asteroide atingiu Yucatán na pior estação, gerou incêndios globais e bloqueou a luz solar, e ainda era um meteorito raríssimo, decisivo para o colapso ambiental que levou à extinção.

O impacto que extinguiu os dinossauros há 66 milhões de anos foi devastador por si só, mas pesquisas mostram que uma série de coincidências infelizes tornou o evento ainda mais fatal. O asteroide atingiu a região de Yucatán, desencadeando incêndios globais, tsunamis, acidificação dos oceanos e um colapso climático que derrubou cadeias alimentares inteiras.

De acordo com os cientistas, os detritos lançados à atmosfera bloquearam a luz solar e resfriaram o planeta, agravando a perda de vegetação. Estudos sugerem que, se o impacto tivesse ocorrido em outra região ou estação do ano, os efeitos poderiam ter sido menos severos. A primavera no Hemisfério Norte, por exemplo, reduziu a capacidade de recuperação das espécies locais.

Um novo estudo publicado na Science Advances acrescenta outro elemento de azar: o asteroide era um meteorito extremamente raro, pertencente ao subgrupo dos condritos carbonáceos Ornans (CO), uma fração minúscula dos já raros meteoritos carbonáceos. Isso indica que o projétil pode ter vindo das regiões externas do Sistema Solar.

Para identificar o tipo de meteorito, cientistas analisaram amostras do limite Cretáceo-Paleógeno em cinco locais da Europa e as compararam a diferentes meteoritos carbonáceos. A assinatura isotópica do níquel nas amostras coincidiu fortemente com a dos meteoritos CO, descartando hipóteses anteriores.

A descoberta também reabre o debate sobre o papel do enxofre na catástrofe. Embora o enxofre vaporizado seja frequentemente apontado como responsável por bloquear o Sol e gerar chuva ácida, meteoritos CO contêm poucos elementos voláteis, o que sugere que o enxofre do impactador não foi o principal agente da devastação.

Segundo os pesquisadores, os detritos finos lançados à atmosfera — e não o conteúdo químico do meteorito — foram provavelmente o fator decisivo para o colapso ambiental global. A combinação entre o local do impacto, a estação do ano e a raridade do objeto reforça o quão azarados foram os dinossauros.

A conclusão do estudo ressalta a importância de monitorar rochas espaciais que escapam da proteção gravitacional de Júpiter. Afinal, um meteorito tão raro e destrutivo ter atingido a Terra mostra que, às vezes, o acaso cósmico pode ser implacável.