CLIMA

Onda de calor gera prejuízos de R$ 12 bilhões à safra de grãos da UE

Custo elevado ameaça segurança alimentar e aumenta dependência de importações.

Por Sputnik Brasil Publicado em 22/07/2026 às 10:58
A onda de calor extremo na Europa causa prejuízos significativos à safra de grãos e segurança alimentar. © Foto / Twitter/@thandojo

A onda de calor extremo na Europa causou prejuízos de mais de € 2 bilhões (R$ 11,58 bilhões) à safra de grãos dos países da União Europeia (UE), com reduções mais severas na produção de milho e trigo na França e na Hungria, escreve um jornal britânico.

A publicação destaca que as previsões para a produção de grãos em toda a UE e no Reino Unido foram reduzidas em quase 9 milhões de toneladas no mês seguinte à onda de calor.

Uma análise realizada pela Unidade de Inteligência sobre Energia e Clima estimou a perda de produção em cerca de € 2,1 bilhões (R$ 12,17 bilhões), considerando os preços nacionais na porteira para trigo, cevada, milho e outros grãos, o que equivale a cerca de 5% das estimativas de valor da produção para 2025.

Segundo a matéria, a onda de calor afetou o trigo na fase crucial de enchimento do grão em toda a região central e sul da França, no sul da Alemanha, na Áustria, na Polônia e na Hungria. A cevada de primavera sofreu danos maiores do que a de inverno europeu, pois esta última já estava, em grande parte, madura antes do início da onda de calor.

A Europa Ocidental registrou o mês de junho mais quente já registrado, com temperaturas 3°C acima da média de 1991 a 2020 — atingindo picos acima de 43°C na França e mais de 40°C na Hungria.

De acordo com o jornal, essa quebra ameaça aumentar a dependência de importações da UE da Ucrânia e do Brasil, ao mesmo tempo que reduz as exportações de trigo para o norte e o oeste da África.

Ao mesmo tempo, os criadores de gado se preparam para o aumento vertiginoso dos custos com ração, o que pressionará suas margens de lucro nos próximos meses.

Enquanto isso, a crise expõe o fracasso das atuais políticas agrícolas da UE em construir resiliência climática, deixando os agricultores presos entre colheitas cada vez menores e um sistema de subsídios falho, que perpetua justamente as práticas que os tornam vulneráveis.

Anteriormente, um portal ocidental informou que o calor extremo e persistente tem perturbado os setores de energia e transporte na Europa, com rios secos impedindo a navegação de barcaças e elevando os preços do transporte de combustível, carvão e outros bens.