SAÚDE

São Paulo destaca a importância da vacinação após novos registros de sarampo

Doze casos de sarampo foram relatados no Estado, sendo a maioria na capital e em São Bernardo do Campo.

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/07/2026 às 10:21
Ruana Padilha / Ascom Sesau

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou 13 casos de sarampo no Estado neste ano. Do total, 11 opções na capital e duas em São Bernardo do Campo.

Segundo a massa, dois casos foram classificados como importados e os demais estão relacionados à importação, embora sem identificação da fonte de infecção. Todos os pacientes evoluíram para a cura.

Diante do cenário, a SES-SP reforça a importância da vacinação como principal forma de prevenção. Desde junho, o Estado recomenda a aplicação da chamada dose zero da vacina tríplice viral em bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias residentes nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, como medida adicional de proteção.

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Segundo a SES-SP, dois dos 13 casos confirmados neste ano são considerados importados, ou seja, ocorridos em pessoas que contraíram a doença durante uma viagem ao exterior.

Os outros 11 são classificados como relacionados à importação, quando a infecção ocorre no Brasil após contato com o vírus introduzido por um viajante, mesmo que a fonte exata da transmissão não seja identificada.

Essa diferença é importante porque a presença de casos importados não é significativa, por si só, que o vírus voltou a circular de forma sustentada no País. O principal objetivo da vigilância epidemiológica é identificar rapidamente essas infecções e impedir que elas originem novas cadeias de transmissão.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), as Américas registraram 22.974 casos confirmados e 39 mortes por sarampo até o fim de junho deste ano, com a maior parte das ocorrências técnicas no México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, afirma que pessoas que viajam para países com circulação do sarampo podem voltar infectadas, assim como visitantes estrangeiros podem trazer o vírus para o Brasil. “O desafio é evitar que esses casos importados provoquem uma transmissão sustentada da doença no País.”

O especialista acrescenta que o retorno daqueles que foram assistidos à Copa do Mundo, realizado em países onde há surtos da doença, aumenta o risco para todos. “Por isso, é fundamental manter a vigilância e a vacinação em dia.”

A vacinação é a principal forma de prevenção

A vacina tríplice viral faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema de rotina prevê duas doses para crianças, além da atualização da carteira vacinal de adolescentes e adultos que ainda não completaram o esquema recomendado.

“A primeira dose da vacina já alcança cerca de 90% a 92% de cobertura, mas a segunda ainda está entre 80% e 85%. Precisamos aumentar o número de crianças e adultos com duas doses, porque a vigilância e a vacinação são os pilares que sustentam o País livre do sarampo”, diz Kfouri.

No Estado de São Paulo, bebês entre 6 meses e 11 meses e 29 dias que vivem na capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo também devem receber a dose zero. Esta aplicação não substitui as doses previstas no calendário, mas oferece proteção adicional em áreas de maior risco.

Histórico do Sarampo no País

O Brasil recuperou, em novembro de 2024, a certificação da Opas de país livre da circulação endêmica do sarampo.

O reconhecimento foi restabelecido após o controle da doença, que saiu circular entre 2018 e 2022 e provocou mais de 39 mil casos no País. Em 2023, não houve confirmações da doença, enquanto 2024 e 2025 registraram apenas ocorrências esporádicas, em sua maioria ligadas à importação do vírus.

"Quando passa o período de transmissibilidade e não surgem novos casos, o surto é considerado encerrado. Por isso, é fundamental monitorar os pacientes e todas as pessoas que tiveram contato com eles, fazer busca ativa e investigação laboratorial para evitar que esses casos importados voltem a estabelecer a circulação do vírus no País", ressalta Kfouri.