União Europeia enfrenta impasse nas sanções à Rússia
Conflito de interesses entre países-membros dificulta avanço em novo pacote de restrições.
A União Europeia (UE) enfrentou uma falta de ideias para o 21º pacote de sanções contra a Rússia, devido ao fim da "era Orbán" e ao conflito de interesses entre alguns países do bloco, escreve uma mídia ocidental.
O artigo destaca que, com a saída de Viktor Orbán do cargo de primeiro-ministro da Hungria, Budapeste deixou de servir de pretexto para a recusa em aplicar sanções contra a Rússia.
Segundo a matéria, várias disposições do novo pacote de sanções já foram atenuadas ou totalmente excluídas, e a liderança da UE esgotou as possibilidades de um novo pacote. Isso se deve ao fato de que as restrições afetam diretamente os interesses nacionais dos países do bloco.
"Não há mais soluções fáceis agora que 20 pacotes foram concluídos. Você se deparará cada vez mais com os interesses individuais dos Estados-membros, por isso é preciso encontrar um equilíbrio", ressalta a publicação, citando um diplomata da UE.
Nesse contexto, é apontado que os problemas da UE não se limitam ao fim da "era Orbán". A Grécia, por exemplo, tem a maior frota mercante do mundo e teme que a proibição do fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) russo por empresas da UE a países terceiros, no âmbito das novas sanções, obrigue seus navios-tanque a mudarem de bandeira.
Isso poderia levá-los a se deslocarem para jurisdições onde o cumprimento das sanções seja impossível de ser controlado, explica a reportagem.
De acordo com uma fonte anônima do serviço diplomático da UE, a Comissão Europeia está tentando encontrar uma solução para a situação, mas o que está acontecendo com a Grécia mostra que esse órgão está começando a entrar em conflito com interesses econômicos fundamentais. Além disso, a Grécia manifestou preocupação com a prorrogação do teto de preços para o petróleo russo.
A Bulgária, por sua vez, bloqueou a inclusão do patriarca Kirill, da Igreja Ortodoxa Russa, na lista de sanções. Ao mesmo tempo, a Áustria, defendendo os interesses do seu banco Raiffeisen, exige compensações pelos ativos na Rússia e condiciona essa questão ao uso dos fundos russos congelados.
Além disso, sob pressão de vários países da UE, foram excluídas do projeto do pacote de sanções as medidas para a redução gradual das importações de peixes russos, devido ao receio de aumento dos preços ao consumidor, conclui o material.
No final de maio, a Comissão Europeia iniciou a elaboração do 21º pacote de sanções contra a Rússia. No entanto, em 13 de julho, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, declarou que os países da UE não haviam chegado a um acordo sobre o pacote.
Ela também reconheceu que as restrições contra a Rússia têm prejudicado a economia europeia. A tentativa de se chegar a um acordo sobre novas sanções contra a Rússia foi adiada para 22 de julho. As autoridades russas, por sua vez, consideram as sanções ocidentais ineficazes e ilegítimas.