POLÍTICA

Elias Rosa defende cuidados na aplicação da Lei de Reciprocidade

O ministro do MDIC afirma que a lei não justifica perder a razão nas negociações.

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/07/2026 às 09:54
Márcio Elias Rosa Reprodução / Agência Brasil

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa , afirmou nesta quarta-feira, 22, que a Lei de Reciprocidade não dá ao Brasil o direito de perder a razão. Em entrevista à Bandnews, ele afirmou que é preciso agir com cautela para não gerar efeitos inversos nas negociações.

"A lei não nos dá o direito de perder a razão. Mas ninguém pode perder a razão só porque tem a lei sobre seu fundamento. Eu queria deixar claro isso, o instrumento da reciprocidade está à nossa disposição", disse.

Segundo o ministro, é fundamental dimensionar a medida, pois essa tarefa é complexa. "Se ela não pode produzir um efeito negativo, ou seja, se o prejuízo será maior aqui do que lá. Eu também gosto de dizer que se você adotar a reciprocidade, você precisa ferir o oponente. Não apenas irritá-lo, porque senão você perde o controle e o domínio da negociação", afirmou.

De acordo com Elias Rosa, o Brasil negociou todos os pontos da seção 301, que estudou na tarifa adicional dos EUA ao País, mas é difícil convencer alguém que enfrente dificuldades para se conectar com a realidade.

Para ele, se as causas da tarifaço fossem apenas econômicas, o Brasil já poderia ter chegado a um acordo, essas tarifas em massa possuem um caráter mais de sanção do que de regulação do mercado. A solução, afirmou, é diversificar os mercados, e o país tem capacidade para isso.

O ministro lamentou a diminuição da participação dos Estados Unidos na corrente de comércio com o Brasil, ressaltando que é um parceiro histórico e bem posicionado logisticamente, mas também descobriu que a China ocupou o espaço dos norte-americanos.

"É um parceiro comercial muito relevante para os EUA, não é razoável e nem é bom que não tenhamos um acordo com eles e acho que não podemos, de maneira alguma, alimentar qualquer dissenso. A despeito do desaforo, temos que continuar na mesa de negociação tentando trazer de volta", completou.