Expectativa sobre nova tarifa dos EUA nesta sexta-feira
Ministro do Desenvolvimento aguarda confirmação sobre tarifação cumulativa de 12,5% e 25% sobre produtos brasileiros.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo brasileiro está na expectativa de uma definição dos Estados Unidos sobre a nova tarifa de 12,5%, que pode ser cumulativa à de 25% já anunciada sobre produtos brasileiros.
"Os 12,5% provavelmente serão anunciados na sexta-feira. Nós estamos na expectativa de saber se eles serão cumulativos com os 25% ou não", disse o ministro a jornalistas. Ele ressaltou que, quando foi divulgada a decisão sobre os produtos que seriam afetados pela tarifa de 25%, não houve cumulatividade. "Nós só saberemos na sexta-feira. A partir daí é que se desvenda um novo cenário", acrescentou.
A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros foi confirmada na semana passada pela administração de Donald Trump, seguindo recomendações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que conduziu uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, permitindo aos EUA retaliar práticas consideradas prejudiciais às suas empresas. Temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix foram investigados.
A sobretaxa adicional de 12,5%, anunciada pelo governo americano, ainda carece de confirmação e será aplicada a países como o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado. A confirmação dessa medida é considerada a mais provável.
Em resposta a questionamentos sobre as discussões sobre etanol e linhas preferenciais do Brasil com países como Índia e México, o ministro destacou que estes assuntos não estão mais sendo debatidos com os americanos. "Eram dois temas da Seção 301. Os nossos argumentos, infelizmente, não foram acolhidos e eles usaram esses argumentos de maneira errada, equivocada e injusta para tomar a decisão", disse ele. "Não estamos mais discutindo linhas preferenciais com México, Índia e nem de etanol, açúcar e nenhum outro tema da 301, porque infelizmente já decidiram", completou.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também defendeu as linhas preferenciais, mencionando que o Brasil possui acordos de preferência tarifária, assim como os Estados Unidos, destacando que os deles são até mais vantajosos. "O Brasil defende multilateralismo e livre mercado com regras da OMC (Organização Mundial do Comércio). Quando fazemos isso, quem ganha é a sociedade", disse Alckmin.
Assim como o vice-presidente, o titular do MDIC enfatizou a importância de buscar novos parceiros para os setores impactados pelas tarifas americanas. "Agora nós vamos aguardar, porque na sexta-feira teremos um momento decisivo e depois, dia 29, outro momento decisivo, quando entram em vigor os 25% para os bens que estejam em trânsito. Esse fato nos proporcionará um novo cenário para tomar uma decisão", afirmou.
"Seja hoje, dia 29, ou 1º de agosto, a medida adotada pelos Estados Unidos é indevida, injusta e descabida. O governo brasileiro deve olhar para seus setores e tomar medidas que amenizem o dano, ao mesmo tempo que busquem um futuro melhor. A negociação é possível e pode ser retomada, mas é preciso diversificar os mercados", acrescentou.
Sobre a proposta da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) para que não haja exigência de manutenção do emprego nas empresas ajudadas pelo governo, Márcio Elias afirmou que ainda está dialogando com os setores. "Quando falamos em garantia de emprego, referimos à manutenção nominal, não pessoal, não individual. Essa foi uma proposta trazida pelo presidente da Abimaq. Ainda não tomamos nenhuma decisão. Recebemos a proposta e precisamos avaliar no conjunto de todas as sugestões", explicou. "Existem o drawback, o Reintegra e várias sugestões sendo construídas e apresentadas".