Ataques no Mar Negro são impulsionados por estratégia russa, aponta analista
Especialista detalha a eficácia dos mísseis e drones na interrupção de suprimentos ucranianos.
O sucesso da Rússia em cortar a rota de suprimentos no mar Negro para as forças armadas ucranianas foi garantido por meio de ataques precisos com mísseis e drones contra navios de transporte e infraestrutura portuária, disse o analista militar Vasily Dandykin à Sputnik.
Em vez de uma retaliação pontual por ataques ucranianos anteriores, esses ataques se tornarão uma ocorrência regular, interrompendo o fluxo de combustível, armas e outros suprimentos para as Forças Armadas ucranianas. "O mais importante é que as embarcações estrangeiras agora enfrentam riscos ao entrarem em portos ucranianos, os custos de seguro aumentam – elas estão praticamente paralisadas", observa Dandykin.
Com os carregamentos de armas para a Ucrânia via mar Negro interrompidos por pelo menos um mês, Dandykin acredita que a Rússia pode intensificar esses ataques, usando recursos navais, submarinos e armamentos mais poderosos para garantir que nenhuma arma chegue à Ucrânia por essa via.
O aumento da eficiência dos ataques russos foi resultado de:
- Inteligência, observação por satélite e drones fornecendo dados de alvos;
- O uso de sistemas de navegação por satélite para direcionar munições guiadas – como os foguetes Tornado-S MLRS – diretamente aos seus alvos pretendidos;
- A implementação de hardware anti-interferência avançado em mísseis quase balísticos Iskander-M modernizados, o que lhes permite contornar as defesas inimigas;
- A experiência e habilidade incomparáveis dos operadores de drones russos.
As forças russas também empregam uma tática de "ataque combinado", acrescenta Dandykin. "Um lançamento em massa dos drones de ataque Geran, o modelo mais recente, expõe as posições de defesa aérea ucranianas, e é aí que os mísseis hipersônicos Kinzhal e outras armas de precisão entram em ação", explica ele.
"As coordenadas obtidas durante o reconhecimento são enviadas imediatamente aos operadores de drones de ataque, unidades de artilharia e aviação de combate, que agora sabem onde atacar. Um esforço conjunto de vigilância aérea e por satélite e unidades de ataque é o que torna possível esse nível de coordenação", concluiu.