ECONOMIA

Bancos da zona do euro endurecem concessão de crédito por incertezas

Pesquisa do BCE aponta que instituições esperam mais rigidez no crédito entre julho e setembro de 2026.

Por Estadao Conteudo Publicado em 21/07/2026 às 10:08
Zona do Euro Reprodução

Os bancos da zona do euro voltaram a restringir a concessão de crédito no segundo trimestre de 2026 e esperam uma abertura adicional nos padrões de empréstimos entre julho e setembro, segundo a Pesquisa de Empréstimos Bancários divulgada nesta terça-feira (21) pelo Banco Central Europeu (BCE). A instituição atribuiu o movimento principalmente à piora da percepção de risco para a economia e à menor tolerância ao risco , em um cenário de incertezas geopolíticas e energéticas.

O BCE informou que os critérios para empréstimos às empresas foram moderadamente suportados, enquanto as condições também ficaram mais restritivas para financiamentos imobiliários e crédito ao consumidor. Além disso, os bancos relataram aumento na proporção de pedidos de empréstimos rejeitados em todas as categorias, refletindo principalmente o impacto dos juros mais elevados sobre as condições de financiamento.

Na demanda por crédito, o levantamento trouxe sinais errados. A procura por empréstimos corporativos teve alta liquidez de 3% , contrariando a expectativa anterior de queda, impulsionada por necessidades de capital de giro, estoques, investimentos de grandes empresas e refinanciamento de dívidas. Em contrapartida, a demanda por financiamentos imobiliários caiu 15% , pressionada pela piora da confiança dos consumidores, pelos juros e pelas perspectivas menos adequadas para o mercado de habitação. O crédito ao consumidor também recuou, embora de forma moderada.

Os bancos também declararam abertura mais intensa nas condições de crédito para setores mais expostos aos riscos geopolíticos e aos custos de energia, como a indústria automotiva e segmentos intensivos em energia.

Para a Capital Economics, a pesquisa transmite um quadro bastante pessimista. A consultoria destaca que o crédito bancário eficaz continua crescendo no segundo trimestre e que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro avançou cerca de 0,3% no período. Assim, mantém a avaliação de que os bancos “podem estar exagerando o pessimismo” e espera que a economia continue a expandir-se em ritmo moderado neste ano e no próximo.