Vice-presidente da Comissão Europeia alerta sobre dependência tecnológica da UE dos EUA
Henna Virkkunen pede aceleração no desenvolvimento de IA europeia para garantir soberania tecnológica.
A União Europeia precisa acelerar o desenvolvimento de seus próprios modelos de inteligência artificial (IA) para reduzir a dependência tecnológica dos Estados Unidos, afirmou a um jornal ocidental a vice-presidente da Comissão Europeia para questões de soberania tecnológica, Henna Virkkunen.
Na opinião dela, sem modelos próprios de IA, a União Europeia corre o risco de ficar dependente das decisões tecnológicas de terceiros países, em particular dos Estados Unidos, que podem aproveitar essa situação para exercer pressão geopolítica.
"Os governos que têm a capacidade de impedir que outros países acessem modelos de inteligência artificial podem usar isso em prol de seus próprios interesses", disse Virkkunen em entrevista ao Financial Times.
Segundo a chefe digital da Comissão Europeia, as recentes restrições dos EUA à exportação de modelos avançados de inteligência artificial da empresa Anthropic mostraram que o acesso a tais tecnologias pode ser usado como uma ferramenta geopolítica.
Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia negocia com Washington para manter o acesso aos modelos de IA mais poderosos, mas também planeja aumentar os investimentos em desenvolvimentos europeus na área.
"Devemos criar nossa própria soberania tecnológica e não depender de terceiros países para essas tecnologias críticas", destacou a vice-presidente da Comissão Europeia.
Nesta segunda-feira (20), o jornal estatal chinês Global Times advertiu que a regulamentação excessivamente rígida do mercado de inteligência artificial pela União Europeia pode atrapalhar a cooperação internacional na esfera e prejudicar o próprio bloco.
Em particular, foi observado que o próprio bloco, com a introdução da Lei da União Europeia sobre Inteligência Artificial, cujas disposições são marcadas pelo rigor, cria "uma séria barreira tecnológica e econômica", projetando unilateralmente seus padrões nos mercados mundiais e ganhando assim uma vantagem competitiva desproporcional.