O trânsito pode prever acidentes? IA já identifica situações de risco antes que elas aconteçam
Câmeras inteligentes, sensores e sistemas conectados ajudam cidades e rodovias a antecipar problemas, reduzir riscos e transformar dados em decisões
Por muitos anos, a gestão do trânsito foi baseada em uma lógica reativa: identificar uma ocorrência, analisar o problema e buscar uma solução depois que o acidente já aconteceu. Com o avanço da inteligência artificial aplicada à mobilidade, esse cenário começa a mudar. Hoje, câmeras inteligentes, sensores e sistemas conectados já conseguem identificar comportamentos de risco, condições adversas e alterações no fluxo das vias, permitindo que cidades e concessionárias atuem de forma mais preventiva.
A transformação acontece em um momento em que a segurança viária volta ao centro do debate. Segundo o Atlas da Violência 2026, o Brasil registrou aumento de 6,5% na mortalidade geral no trânsito, além de alta de 30,2% nas mortes envolvendo caminhões e crescimento expressivo nas ocorrências com motociclistas. O relatório destaca a importância de medidas como controle de velocidade, melhoria da infraestrutura viária e fortalecimento da fiscalização para reduzir esses números.
Nesse contexto, tecnologias baseadas em inteligência artificial começam a atuar como uma camada adicional de prevenção. Em vez de apenas registrar infrações, os sistemas passam a gerar informações estratégicas para que gestores públicos e concessionárias possam identificar riscos, planejar intervenções e agir com mais rapidez. “Durante muito tempo, as tecnologias de trânsito foram vistas apenas como ferramentas de fiscalização. Hoje, a inteligência artificial permite uma nova abordagem: entender o comportamento das vias em tempo real, identificar padrões e apoiar decisões que tornam o trânsito mais seguro”, explica Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia da Pumatronix.
Na prática, câmeras, sensores e sistemas inteligentes conseguem analisar milhares de informações continuamente. Soluções desenvolvidas pela Pumatronix, empresa brasileira especializada em mobilidade inteligente e segurança viária, permitem monitorar fatores como excesso de velocidade, fluxo de veículos, classificação veicular e padrões de deslocamento. A companhia também desenvolveu módulos de IA capazes de identificar automaticamente comportamentos de risco, como motoristas utilizando celular ao volante e ocupantes sem cinto de segurança.
Além disso, as tecnologias da empresa auxiliam na identificação de infrações que podem comprometer a segurança das vias, como avanço de sinal vermelho, conversões proibidas e retornos em locais não permitidos. Com inteligência artificial embarcada e análise de imagens, os sistemas ampliam a capacidade de monitoramento em vias de alto fluxo e permitem uma gestão mais eficiente baseada em dados.
No transporte de cargas, um dos pontos de atenção destacados pelo Atlas da Violência 2026, soluções como o HS-WIM da Pumatronix permitem identificar e classificar caminhões em movimento, detectando veículos que trafegam acima do peso permitido sem necessidade de parada. Além de apoiar a fiscalização, a tecnologia contribui para preservar a infraestrutura das rodovias, já que o excesso de carga acelera o desgaste do pavimento e pode aumentar riscos operacionais nas vias.
As informações geradas por essas tecnologias permitem que gestores públicos e concessionárias tenham uma visão mais completa sobre o comportamento do trânsito. A partir dos dados coletados, é possível identificar padrões recorrentes, mapear pontos críticos, antecipar riscos, direcionar ações de fiscalização e orientar investimentos em infraestrutura, tornando as decisões mais rápidas e assertivas.
Além do comportamento dos motoristas, outros fatores também influenciam diretamente a segurança nas cidades, como iluminação, clima e condições da via. Por meio da Plugfield, empresa do Grupo Pumatronix, soluções de monitoramento climático permitem acompanhar informações como chuva, temperatura e visibilidade, ajudando operadores a agir diante de situações que podem aumentar o risco de acidentes.
Já na infraestrutura urbana, a SmartGreen, também integrante do Grupo Pumatronix, atua com sistemas de telegestão para iluminação pública. A tecnologia permite controlar e acompanhar remotamente os pontos de luz, identificar falhas em tempo real e tornar a manutenção mais eficiente. Em Piraquara (PR), por exemplo, cerca de 2 mil pontos de iluminação pública já são controlados pela solução, contribuindo para uma cidade mais conectada e segura. “Quando falamos de cidades inteligentes, não estamos falando apenas de equipamentos isolados. O futuro está na integração entre diferentes tecnologias: sensores, câmeras, iluminação, dados e inteligência artificial trabalhando juntos para antecipar problemas e melhorar a tomada de decisão”, completa Krzyzanovski.
Com o avanço dessas soluções, a tendência é que a gestão urbana seja cada vez mais baseada em prevenção. Mais do que registrar o que acontece nas ruas e rodovias, a tecnologia passa a ajudar cidades a compreenderem seus desafios e responderem antes que eles se transformem em problemas maiores.