Estudo propõe nova técnica para transformar plástico em combustível de aviação
Pesquisadores chineses utilizam catalisador de baixo custo para converter plásticos em querosene
Pesquisadores chineses desenvolveram um novo catalisador que converte resíduos de poliolefinas, que correspondem a mais de 60% de todos os plásticos, em combustíveis de aviação.
O novo catalisador quebra seletivamente as cadeias plásticas em componentes de hidrocarbonetos C8-C16, querosene usado no combustível Jet A/A-1, evitando a produção de metano, gás de efeito estufa, como subproduto indesejado.
Segundo o estudo da Shanghai Advanced Research Institute (Academia Chinesa de Ciências) e Fudan University, o processo utiliza metais abundantes e baratos (níquel e cobalto), tornando a viabilidade de escala industrial real, de acordo com o estudo.
Quando alimentado por energia renovável, o processo reduz as emissões de gases de efeito estufa em 80% em comparação com a produção convencional.
Diferente das garrafas PET, mais fáceis de reciclar quimicamente, as poliolefinas têm ligações carbono-carbono que exigem enormes quantidades de energia (pirólise a 400–600°C) e, até então, uso de metais nobres e caros, como platina, paládio ou rutênio, para a hidrogenólise - quebra com hidrogênio.
O novo catalisador, segundo a pesquisa, quebra seletivamente a temperaturas mais baixas esses metais abundantes e mais baratos. Além disso, o querosene de aviação tradicional é feito de petróleo bruto, envolvendo extração, transporte e refino intensivo. A descoberta possibilita a reciclagem do carbono que já está acima do solo, em vez de perfurar para obter novo carbono.
O desafio ainda está na limpeza de resíduos dos plásticos que serão transformados, processo ainda oneroso. O uso do hidrogênio para quebrar as cadeias também precisa ser 'verde' e não de gás natural para garantir a economia de 80% nas emissões.
Outro desafio é a falta de processos de coleta e separação dos resíduos plásticos para atender uma demanda em escala industrial. Estudos apontam que a demanda global por queroseno de aviação é de 300 milhões de toneladas por ano. Já o lixo plástico global é de 350 milhões de toneladas por ano, embora as taxas de coleta globais estejam abaixo de 20%.
Como a China é a maior importadora de petróleo bruto do mundo e a maior produtora de resíduos plásticos, a pesquisa visa estimular este mercado e reduzir a dependência da importação de petróleo e diminuir a crise de resíduos domésticos.
O estudo estima que em menos de dez anos, a transformação 'plástico-para-querosene' deve representar de 5 a 10% do combustível de aviação.
Por Sputinik Brasil