SEGURANÇA PÚBLICA

Adolescente se entrega após matar duas pessoas em conveniência no Paraná

Menor de 15 anos confessou o crime e alegou vingança; investigação aponta possível envolvimento com tráfico.

Por Estadao Conteudo Publicado em 20/07/2026 às 20:53
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O adolescente de 15 anos investigado pela suspeita de cometer um atentado a tiros que matou duas pessoas e feriu outras três, em Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná, confessou o crime após se apresentar à Polícia Civil, nesta segunda-feira, 20, e disse ter cometido o ato por vingança. Ele ficará apreendido, segundo a polícia. O atentado aconteceu na noite de sexta-feira, 17, em uma loja de conveniência.

"Esse menor se apresentou, confessou o crime e apresentou a arma do crime", afirmou o delegado Nilson Rodrigues da Silva. Segundo ele, o adolescente não sabia atirar e demonstrou arrependimento pelo crime. A arma, que foi apreendida e será periciada, era de um irmão do menor que morreu em 2024, conforme a versão do próprio atirador.

Em depoimento, ele alegou que o alvo do ataque seria apenas Veridiana Gaya Menin Machado Sate, de 40 anos, que está internada em estado grave. Além dela, outra mulher de 23 anos e um homem de 41 anos ficaram feridos. As vítimas fatais, Marcio Bertholdi Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38 anos, foram enterradas no domingo, 19.

De acordo com a delegada Laís Mendonça Alves, que também investiga o caso, a vingança seria pela morte do irmão ocorrida em uma ação em que o próprio adolescente e a mãe foram vítimas de tentativa de homicídio. "Ele teria guardado essa mágoa", contou.

A delegada afirmou que o adolescente e o irmão têm histórico criminal, mas não deu detalhes. Uma suspeita de que o crime possa ter relação com o tráfico de drogas também está sendo investigada pela polícia. "Vamos continuar com as diligências. O objetivo é apurar a verdade. A gente não adota integralmente o que é mencionado, vamos apurar todas as linhas e possibilidades", disse Laís.

No dia do crime, o adolescente afirmou que tomou conhecimento de que Veridiana estava na loja de conveniência e passou pelo local diversas vezes para se certificar. Ele chegou a pé usando uma balaclava e disparou na direção da mulher. Segundo a polícia, a distância e a falta de habilidade com a arma levaram o atirador a acertar outros clientes do estabelecimento. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Veridiana.

"Esse indivíduo cometeu esse crime bárbaro. Causou comoção muito grande na cidade. São pessoas conhecidas, comerciantes, lutadoras. É lamentável o fato acontecido, o local em que se deu, uma lanchonete, com as pessoas se divertindo. Chega um indivíduo e pratica essa barbaridade. Cabe à polícia trazer uma solução", afirmou o delegado Nilson Rodrigues.

A mãe do adolescente chegou a ser presa no sábado, 18, mas foi liberada para responder em liberdade. Durante uma busca realizada na casa dela, os policiais encontraram material explosivo, antenas para bloqueador de sinal, duas munições, além de uma pequena quantidade de drogas.

O esquadrão antibombas precisou ser acionado na casa da mulher. Em depoimento, o adolescente afirmou que o material explosivo foi encontrado por ele durante uma pescaria e levado para a residência. A polícia investiga a procedência do material.

A delegada Laís Mendonça Alves afirmou também que a namorada do adolescente, que não teve a identidade divulgada, está sendo investigada pela suspeita de dar apoio logístico à fuga dele. O depoimento do atirador indicou que ela não tinha conhecimento dos fatos, apesar de tê-lo visto quando foi para casa trocar de roupa e fugir, no mesmo dia do crime.

"Ela foi ouvida, mas optou por ficar em silêncio num primeiro momento, mas confirmou esse fato de que teria sido de fato a pessoa que deu esse apoio pra ele após os fatos, mas sem ter conhecimento de que ele teria praticado o atentado", disse a delegada.