SAÚDE

Inverno acende alerta para alergias e doenças respiratórias

Pneumologista explica como mudanças simples na rotina ajudam a blindar a saúde durante o tempo seco

Por Assessoria Publicado em 20/07/2026 às 15:20
Inverno acende alerta para alergias e doenças respiratórias Magnific

Belo Horizonte, 20 de julho de 2026 — A queda das temperaturas e a baixa umidade do ar no inverno criam o cenário perfeito para o agravamento de doenças respiratórias e quadros alérgicos. Historicamente, há um aumento expressivo na busca por atendimento médico devido a crises de asma, rinite, sinusite e doença pulmonar obstrutiva crônica, além das infecções virais. Porém, com alguns cuidados, é possível minimizar os riscos e passar pela estação de forma mais saudável.

Para Pedro Vilela, médico pneumologista do Hospital Orizonti, a prevenção e o controle das crises começam muito antes da chegada ao consultório. "Durante o inverno, nossa tendência natural é fechar portas e janelas para espantar o frio. O problema é que isso impede a circulação do ar e facilita o acúmulo de poeira e a proliferação de ácaros, fungos e vírus", explica o especialista.

"Além disso, tiramos do armário agasalhos e cobertores que passaram meses guardados, muitas vezes carregados de alérgenos que funcionam como gatilhos imediatos para quem já tem predisposição a doenças respiratórias", alerta.

O médico destaca que pequenas adaptações na rotina fazem grande diferença. O primeiro passo é garantir a ventilação diária dos ambientes. Mesmo nos dias frios, abrir as janelas por algumas horas durante a manhã ou no início da tarde é essencial para renovar o ar e permitir a entrada de luz solar. Na hora da faxina, o ideal é abandonar vassouras e espanadores, que apenas espalham a poeira no ar, e dar preferência aos panos úmidos para higienizar o chão e os móveis. Outra medida indispensável é lavar e secar ao sol todas as roupas de frio pesadas e roupas de cama antes do primeiro uso.

O tempo seco desta época do ano exige atenção redobrada à hidratação, tanto do ambiente quanto do próprio corpo. O uso de umidificadores de ar é válido, mas o pneumologista ressalta que o aparelho não deve ficar ligado à noite toda em quartos com portas fechadas, pois o excesso de umidade pode gerar mofo nas paredes e móveis, o que acaba agravando o quadro alérgico. Nesses casos, o uso de uma toalha molhada ou de uma bacia com água no cômodo é uma alternativa segura.

Em relação aos cuidados pessoais, embora o frio diminua a sensação de sede, a ingestão regular de água é vital para manter as mucosas do nariz e da garganta bem hidratadas, garantindo que funcionem como uma barreira natural contra os microrganismos. O médico recomenda ainda a lavagem nasal diária com soro fisiológico para remover impurezas e manter a via aérea limpa, além de reforçar que a imunização e estar com o calendário vacinal em dia é a forma mais eficaz de evitar complicações severas.

"Muitos pacientes recorrem a xaropes caseiros ou descongestionantes nasais de uso tópico sem orientação. O uso contínuo de descongestionantes, por exemplo, pode causar um efeito rebote, piorando a congestão, além de trazer riscos cardiovasculares. Tosse persistente, chiado no peito, febre ou falta de ar não devem ser mascarados com remédios paliativos. Nesses casos, a avaliação de um pneumologista é fundamental para um tratamento adequado e seguro", conclui o pneumologista do Hospital Orizonti.