ESPORTE

Futuro da Seleção Brasileira sem Neymar é debatido

Pesquisa revela que 46% dos brasileiros querem a saída do atacante da equipe nacional.

Por Agência Brasil Publicado em 20/07/2026 às 08:05
Neymar em ação durante a Copa do Mundo de 2026, onde Brasil foi eliminado pela Noruega.

Um novo ciclo de Copa do Mundo tem início nesta segunda-feira (20), com a contagem regressiva de 1.419 dias até o próximo Mundial. Após a pior campanha desde 1990, na qual o Brasil foi eliminado nas oitavas de final pela Noruega, os torcedores questionam sobre o futuro da Seleção até 2030. Entre as várias dúvidas, uma é sobre a continuidade ou não de Neymar na Amarelinha.

A última rodada do estudo Eu Vi o Brasil - O país do futebol?, realizado pela agência IMO Insights, revelou que 46% dos entrevistados acreditam que o ciclo de Neymar com a Seleção Brasileira está encerrado. No entanto, essa percepção não representa uma maioria absoluta, já que não chega a 50%.

Por outro lado, 36% dos participantes defendem que o atacante de 34 anos merece continuar na Seleção, e 18% se posicionaram de forma neutra, afirmando que "não concordam e nem discordam" sobre a permanência do jogador.

A imagem de Neymar junto aos torcedores sofreu um desgaste significativo. Para 67% dos entrevistados, a sua saída abriria espaço para uma renovação tendo em vista 2030. Apenas 14% pensam de forma diferente e, novamente, 18% não têm opinião definida.

A diretora de Operações da IMO, Simona Karen Miranda, comentou à Agência Brasil que, em relação ao levantamento anterior ao início da Copa, Neymar perdeu seis pontos percentuais como jogador preferido e subiu três pontos como jogador menos querido, além de cair cinco pontos como o atleta que melhor representa o espírito da Seleção.

"Os números sugerem que a discussão sobre Neymar deixou de ser apenas técnica e agora reflete um desejo de mudança de ciclo por parte de uma parcela significativa dos brasileiros. Isso indica não apenas uma perda de popularidade do jogador, mas uma maior disposição do torcedor em imaginar o futuro da Seleção sem ele", destacou.

Neymar teve um ciclo complicado com lesões, apresentando-se à Seleção para a Copa ainda se recuperando de um problema na panturrilha direita. Ele participou de apenas 55 minutos de jogo no Mundial, sendo 15 na terceira rodada contra a Escócia e cerca de 40 minutos na eliminação para a Noruega, tendo marcado um gol de pênalti.

O futuro profissional de Neymar é incerto. Seu pai e empresário, Neymar da Silva Santos, emitiu uma carta aberta após a eliminação pedindo para que o filho não considere a aposentadoria. O atacante tem contrato com o Santos até o fim deste ano e se reapresentou ao clube na sexta-feira (17).

Caso sua passagem pela Seleção tenha chegado ao fim, Neymar se despede como o maior artilheiro da história da Amarelinha com 80 gols em 130 jogos oficiais, superando Pelé. Além disso, ele conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 e foi campeão da Copa das Confederações em 2013.

O peso da CBF

Mais do que Neymar, a percepção é que o novo ciclo deve trazer transformações na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Entre os Mundiais de 2022 e 2026, a CBF passou por trocas polêmicas na presidência e teve quatro mudanças de treinador, que incluem Ramon Menezes, Carlo Ancelotti, Fernando Diniz e Dorival Júnior.

De acordo com a pesquisa, 86% dos entrevistados acreditam que a CBF necessita de "mudanças profundas para que o Brasil retome sua posição de potência no futebol mundial". Para 72%, os problemas de gestão contribuíram para a queda precoce da Seleção.

Por outro lado, apenas 14% atribuíram à CBF a responsabilidade principal pela eliminação nas oitavas, enquanto 30% culpam o desempenho dos jogadores, 20% as decisões de Ancelotti e 19% a convocação. Somente 6% consideraram que a Noruega, que eliminou o Brasil, foi simplesmente superior.

Simona observou que "a pesquisa revela que a conexão do brasileiro com o futebol é apoiada na nostalgia das grandes conquistas do passado, que mantém viva a crença de que o Brasil é uma potência." Assim, 70% reconhecem que o Brasil perdeu protagonismo no cenário mundial, mas acreditam que os problemas enfrentados nesta Copa estão mais relacionados à performance da Seleção do que a uma perda definitiva de capacidade para revelar talentos.

"Em suma, apesar das dificuldades, ainda prevalece a percepção de que o problema está no desempenho nesta Copa, e não em uma incapacidade do país de voltar a disputar títulos", concluiu.