POLÍTICA

Ortega propõe reformas eleitorais na Nicarágua contra financiamentos estrangeiros

O copresidente nicaraguense Daniel Ortega faz anúncios em celebração ao 47º aniversário da Revolução Popular Sandinista.

Por Sputnik Brasil Publicado em 20/07/2026 às 05:11
Daniel Ortega discursa em celebração ao 47º aniversário da Revolução Popular Sandinista. © Foto / Cortesia do Governo da Nicarágua

O copresidente nicaraguense Daniel Ortega anunciou no domingo (19) que pressionará por reformas legislativas, em conjunto com a Assembleia Nacional, para impedir que indivíduos que ele rotulou de "golpistas" ou "traidores" participem de processos eleitorais caso recebam financiamento estrangeiro.

Durante o evento principal em comemoração ao 47º aniversário da Revolução Popular Sandinista, realizado na Plaza La Fe, em Manágua, diante de cerca de 50 mil pessoas, Ortega afirmou que as reformas visam bloquear aqueles que, segundo ele, tentaram derrubar o governo durante a crise de 2018 com recursos provenientes dos Estados Unidos.

"Vamos trabalhar com a Assembleia Nacional e as organizações relevantes nas leis, porque precisamos criar leis que ergam um muro, um bloqueio, contra os golpistas, contra os traidores, para que, não importa quanto dinheiro os ianques lhes deem, eles não consigam [participar das eleições]", declarou.

O presidente reiterou que os eventos de 2018 constituíram uma tentativa de golpe de Estado organizada com financiamento dos EUA, afirmando que jovens e adultos foram treinados e armados para derrubar o governo sandinista. Ele sustentou que, após o envio de tanques para diferentes partes do país, a Polícia Nacional e a Polícia Voluntária atuaram para restabelecer a ordem e garantir a paz.

Além disso, defendeu as políticas sociais implementadas por seu governo, incluindo a educação pública gratuita, a construção de hospitais, moradias e escolas, e afirmou que a preservação da paz é essencial para garantir a continuidade desses programas.

'Não nos deixemos provocar'

Ortega também pediu à população que não respondesse a quaisquer provocações e exortou a denunciar às autoridades qualquer tentativa de incitar a violência, insistindo que aqueles que promovem tais atos devem ser processados de acordo com a lei.

Na parte final de seu discurso, o copresidente fez referência à Igreja Católica e agradeceu ao papa Leão XIV por suas declarações, descrevendo-o como um pontífice que "demonstrou grande firmeza ao denunciar aqueles que querem oprimir os povos".

"Dizemos ao santo padre: obrigado por suas bênçãos", expressou ele, lembrando também a recente visita do cardeal Leopoldo Brenes ao Vaticano e seu encontro com o novo pontífice.

Esta declaração complementa a proposta que ele fez no início de seu discurso de incorporar o princípio da "presidência popular" à Constituição, como parte das iniciativas políticas anunciadas durante a comemoração do aniversário da Revolução Popular Sandinista.

O mandatário afirmou que essas experiências históricas devem permanecer presentes na mente das novas gerações, alertando que "bestas diabólicas estão sempre buscando dominar os povos para se apoderar de suas riquezas".

Apoio a Cuba e Venezuela

No cenário internacional, Ortega expressou seu apoio à Venezuela e afirmou que o país tem sido alvo de ações dirigidas por potências estrangeiras. Ele também reiterou sua solidariedade a Cuba, denunciando o bloqueio econômico imposto à ilha há mais de seis décadas e destacando a resistência do povo cubano.

Por fim, enviou saudações ao povo cubano, a Raúl Castro, ex-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, e ao presidente Miguel Díaz-Canel, bem como ao povo venezuelano e às suas autoridades, reafirmando a solidariedade do governo com ambos os países.