Delegação dos EUA investiga impactos da relação com a China em missão inédita desde 2019
Comissão do Congresso busca entender efeitos da interação econômica na segurança nacional.
Congresso dos EUA faz sua primeira missão à China desde 2019 para investigar como a relação econômica e tecnológica entre os dois países impacta a segurança nacional, em meio a tensões persistentes e a esforços recentes de Washington e Pequim para estabilizar o diálogo.
Delegados de um painel consultivo do Congresso dos EUA realizaram sua primeira missão de investigação à China desde 2019, buscando entender como a relação econômica e tecnológica entre os dois países afeta a segurança nacional. A Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA‑China pediu reuniões com autoridades, acadêmicos e líderes de setores estratégicos como inteligência artificial (IA), biotecnologia e robótica, além de encontros com diplomatas e empresas americanas instaladas no país.
O presidente da comissão, Randall Schriver, afirmou que o objetivo não é redefinir a relação bilateral, mas obter informações diretas sobre sua evolução.
No relatório anual mais recente, a comissão apresentou 28 recomendações, incluindo a criação de uma agência unificada de diplomacia econômica para enfrentar desafios como a evasão chinesa a controles de exportação e sanções. Também sugeriu reduzir a dependência de insumos farmacêuticos chineses e ampliar recursos da Força Espacial dos EUA diante da crescente presença da China no setor.
O documento criticou a situação de Hong Kong, acusando Pequim de eliminar o último partido de oposição e usar a cidade para contornar controles de exportação. Citou ainda a intervenção do governo central para impedir a venda de ativos portuários da CK Hutchison, incluindo no Canal do Panamá, como evidência de alinhamento empresarial às diretrizes do Partido Comunista Chinês. O governo de Hong Kong rejeitou as conclusões, acusando a comissão de adotar padrões duplos.
De acordo com o South China Morning Post, o vice‑presidente da comissão, Mike Kuiken, acredita que o debate norte-americano sobre a China se baseia em suposições desatualizadas, e só uma investigação presencial permite captar a velocidade das mudanças. Ele afirmou que apresentações e relatórios não substituem fatos observados diretamente.
Apesar de tensões persistentes em comércio e tecnologia, o clima bilateral arrefeceu desde a guerra tarifária do ano passado. A visita de Estado de Trump a Pequim, em maio, resultou em compromissos para estabilizar a relação, e o presidente norte-americano disse esperar receber Xi Jinping em setembro.
Esses esforços, porém, foram abalados quando Trump voltou a acusar a China de interferência nas eleições de 2020 — alegações rejeitadas por Pequim como "totalmente fabricadas". Questionado sobre o impacto das declarações na possível visita de Xi, o porta‑voz chinês Lin Jian pediu que Washington pare de "apontar o dedo" e adote ações que favoreçam a relação bilateral.
Por Sputinik Brasil