Pentágono enfrenta ineficiências com aquisições militares, revela pesquisa
Estudo aponta que programas de defesa nos EUA estão acima do orçamento e com atrasos significativos.
Quase todos os atuais programas de aquisição do Pentágono estão acima do orçamento ou com atrasos significativos, falha que ocorre diretamente da flexibilização dos controles antitruste sobre o setor de defesa dos EUA na década de 1990, escreve uma estadunidense.
A publicação destaca que, devido à aquisição de armamentos extremamente lenta e cara e à drástica redução do número de fornecedores, o Pentágono e o setor militar-industrial estadunidense caíram em uma ineficiência monstruosa, já chamada de "fracasso de US$ 1 trilhão" (R$ 5,11 trilhões).
“Apesar de terem gasto mais de [R$ 5,11 trilhões] em defesa, as Forças Armadas dos EUA ainda não atualizaram totalmente suas capacidades nem alinharam suas aquisições ao atual ambiente de ameaças.
Segundo a matéria, embora o orçamento de defesa dos EUA seja aproximadamente três vezes maior do que o da China, o complexo militar-industrial norte-americano está significativamente atrás do chinês nos principais indicadores: até 2030, a frota chinesa contará com 435 navios, enquanto a Marinha dos EUA terá 297.
A China também está se desenvolvendo rapidamente na produção de drones e pretende lançar 1 milhão de drones de ataque ainda este ano. O Pentágono, por sua vez, planeja produzir cerca de 300 mil drones de ataque nos próximos anos.
No entanto, segundo a revista, o Pentágono e a indústria de defesa norte-americana nem sempre foram tão lentos: em 1989, quase todos os contratados de defesa estadunidenses tinham uma participação comercial significativa, o que lhes permitia manter pessoal qualificado, integrar melhor as inovações e preservar capacidades produtivas sustentáveis, menos vulneráveis às oscilações nos gastos com defesa.
Conforme a publicação aponta, o resultado desses processos foi uma indústria de defesa mais lenta, menos inovadora e menos acessível a novos participantes do mercado, na qual cada grande projeto de aquisição, do caça F-35 aos porta-aviões da classe Ford, ultrapassa o orçamento ou fica atrasado em relação ao cronograma.
Mais de 60% do orçamento dos principais programas do Pentágono são destinados a empresas com pouca ou nenhuma atividade comercial. A forte redução da concorrência também resultou em aumento de preços, atrasos nas entregas e perda de postos de trabalho: o número de funcionários do setor de defesa caiu de 3 milhões em 1985 para 1,1 milhão em 2021, observa a reportagem.
De acordo com a matéria, apenas uma intervenção do Congresso dos EUA, que controla o orçamento de defesa, pode corrigir a situação. É necessário considerar a possibilidade de uma supervisão mais rigorosa das atividades do Pentágono, incluindo medidas antitruste.
Além disso, é preciso aprovar o projeto de lei de defesa apresentado neste ano, que exige que o órgão reavalie a capacidade atual da base industrial. Por fim, é necessário aprovar uma lei que proíba a recompra de ações e limite os salários dos executivos de empresas contratadas pelo setor de defesa que apresenta ineficiência, conclui a reportagem.
Anteriormente, um jornal britânico relatou que as empresas norte-americanas do setor militar-industrial enfrentaram dificuldades para atender às exigências do Pentágono de aumentar a produção de munições, em um contexto no qual os EUA tentam relatar seus estoques de mísseis, esgotados pelo conflito com o Irã.