Bolsonaro solicita autorização ao STF para visita de Javier Milei
Presidente argentino deve encontrar ex-presidente brasileiro em sua residência durante viagem ao Brasil.
Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para obter autorização que permita ao presidente da Argentina, Javier Milei, visitá-lo no próximo dia 25 de julho. O encontro está previsto para ocorrer na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por razões humanitárias.
Na petição enviada ao ministro Alexandre de Moraes, a defesa solicita a liberação da entrada de Milei e dos integrantes da comitiva argentina a partir das 16h00.
"Diante do exposto, requer seja autorizada a visita do Excelentíssimo Senhor Presidente da República Argentina, doutor Javier Milei, acompanhado dos integrantes da delegação acima identificados, a realizar-se no dia 25 de julho de 2026 (sábado), a partir das 16h00, no local em que o custodiado cumpre prisão domiciliar humanitária", informa o documento.
A visita deve ocorrer no mesmo dia em que Milei participará da convenção nacional do Partido Liberal (PL), em Brasília (DF). Durante o evento, a legenda oficializará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República para as eleições de outubro.
O presidente argentino já havia antecipado a viagem ao Brasil na última semana, quando declarou que pretendia prestigiar a candidatura de Flávio Bolsonaro e aproveitar a passagem pelo país para encontrar o ex-presidente brasileiro.
Já no fim de junho, Flávio Bolsonaro esteve em Buenos Aires para participar da Latin America Chairmen's Conference, conferência da comunidade judaica voltada a lideranças políticas e empresariais da América Latina.
Após a reunião, Milei publicou uma foto ao lado do senador nas redes sociais acompanhada da mensagem "Vem aí a maré azul para o Brasil". Flávio respondeu agradecendo o apoio do presidente argentino e afirmou que espera que a "maré azul" se espalhe por todo o continente — expressão utilizada por lideranças conservadoras para representar o fortalecimento de governos e movimentos de direita na América Latina.
Condenado em novembro de 2025 por liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, o ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde que recebeu o benefício por motivos de saúde.
Após o filho Flávio divulgar uma carta do pai em que pede união e o cita como "porta-voz" diante das polêmicas envolvendo a família Bolsonaro, Alexandre de Moraes proibiu nesta semana a visita do senador por 90 dias.
Na avaliação de Moraes, a visita do senador ao ex-presidente teve como intuito obter um documento destinado exclusivamente à divulgação em plataformas digitais, o que, segundo o ministro, configuraria tentativa de contornar a proibição imposta a Jair Bolsonaro de usar redes sociais, de forma direta ou por intermédio de terceiros.