Juros futuros têm alta com impacto do petróleo e tensões no Oriente Médio
Afloramento de riscos externos pressiona as taxas antes do fim de semana.
Os juros futuros aceleraram em bloco na sessão desta sexta-feira, 17, impulsionados pela aversão ao risco vinda do exterior. A alta, que alcançou 20 pontos-base nos trechos intermediários e chegou perto disso nos longos, veio dos temores inflacionários renovados após o barril do petróleo tipo Brent alcançar US$ 88 na sessão.
Segundo agentes, a continuidade da troca de ataques entre Estados Unidos e Irã, que permanece bloqueando o fluxo de navegação no Estreito de Ormuz, foi o principal propulsor das taxas. A liquidez mais enxuta também amplificou a movimentação da curva a termo, assim como posições defensivas adotadas antes do final de semana, que pode trazer escalada adicional do conflito.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,872% no ajuste da véspera a 13,96%. O DI para janeiro de 2029 saltou a 14,335%, vindo de 14,106% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 abriu de 14,326% a 14,525%.
No cômputo semanal, a curva a termo ganhou inclinação, numa semana em que as preocupações fiscais e com o quadro eleitoral voltaram à tona, assim como a percepção de que o confronto no Golfo Pérsico ainda vai pressionar a oferta de petróleo. Em relação ao fechamento da última sexta-feira, o contrato de janeiro de 2027 aumentou cerca de 6 pontos-base. Já os vértices de janeiro de 2029 e de janeiro de 2031 saltaram quase 35 pontos.
Economista-chefe da gestora CVPAR, Marcelo Fonseca, destaca que desde a divulgação dos índices de inflação ao consumidor do Brasil e dos EUA, os juros vinham mostrando alívio, mas, a partir desta semana, a pauta da guerra retornou com mais força à precificação dos mercados. "A puxada do petróleo tem causado reversão daquela dinâmica. Muito provavelmente essa guerra vai se arrastar, alternando momentos de escalada e alguns com alívio", disse.
Segundo Kimberley Sperrfechter, economista sênior para mercados emergentes da América Latina na Capital Economics, a região atravessou o conflito relativamente "ilesa" até agora, com os exportadores de energia da região - e o Brasil, em particular - se beneficiando da alta do preço do óleo.
"Ainda assim, uma nova pernada de alta do preço do petróleo - se sustentada - pode colocar mais pressão altista sobre a inflação", ressalta a economista, para quem uma nova disparada da commodity energética ameaça a projeção da consultoria de corte de 0,25 ponto porcentual da Selic em agosto.
Para Fonseca, da CVPAR, as revisões baixistas nas projeções para o IPCA deste ano parecem ter sido precipitadas frente ao choque de oferta global, que ainda não acabou. "A melhora do IPCA pode ter sido um ruído. Temos uma dinâmica estrutural ainda ruim", avalia ele, que só vê espaço para mais uma redução de juros pelo Banco Central, no próximo encontro do Copom.
Sem efeito sobre a curva de juros futuros, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) corroborou a perspectiva de crescimento modesto do PIB no segundo trimestre. O dado, que serve de termômetro mensal para o PIB, subiu 0,1% entre abril e maio, feitos os ajustes sazonais. O consenso do mercado era recuo de 0,2%.
Após a divulgação do IBC-Br, o "tracking" do PIB do Santander Brasil se manteve em 0,5% para o segundo trimestre. "Vemos o desempenho de maio em linha com um dado de crescimento do PIB no segundo trimestre de 2026 em desaceleração, mas ainda positivo. Os efeitos do impulso fiscal recente continuam a se dissipar, e as condições financeiras seguem restritivas, embora a resiliência do mercado de trabalho ainda sustente a atividade", disse o economista Henrique Danyi.