JUSTIÇA

Menino de três anos continua no IML após morte violenta em Viamão

Corpo de Oliver Golden Grayson aguarda liberação para sepultamento após agressões do pai.

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/07/2026 às 16:04
Oliver Golden Grayson

O corpo do menino Oliver Golden Grayson, de 3 anos, permanece no Instituto Médico Legal (IML) nove dias após a confirmação de sua morte, em 8 de junho. O pai dele, o missionário americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, está preso e confessou as agressões ocorridas em 5 de junho que resultaram na morte do menino, em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre. A defesa de Dandre não foi localizada pelo Estadão.

Atendendo a um pedido da defesa da mãe de Oliver, Mayanna Rodgers, que também está presa preventivamente, a Justiça estabeleceu um prazo de 48 horas para que o IML informe se há perícia pendente ou se o corpo pode ser liberado para sepultamento. A decisão do juiz Guilherme Pires Mitidiero, da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri de Viamão, foi proferida na tarde de sexta-feira, 17.

A direção do Presídio Estadual Feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre, enviou um ofício à Justiça no dia 15, afirmando que não havia recebido nenhuma solicitação da Polícia Civil para realizar procedimentos envolvendo a vítima, como o reconhecimento do corpo do menino. O Estadão também tenta contato com a polícia.

Segundo a defesa da mãe de Oliver, algum membro da família poderia realizar o procedimento de liberação no IML, mas todos residem nos Estados Unidos e não conheciam a criança. No Brasil, moravam apenas os pais, a criança e outros quatro irmãos - que também são filhos do casal e estão em uma instituição de acolhimento.

No ofício, a diretora do presídio, Sabrina Varoni Nunes, também se manifestou contra a ida da mãe ao velório e sepultamento do menino, que ainda não tem data definida. "Tal decisão baseia-se no fato de que a custodiada possui envolvimento em crime de grande repercussão social, circunstância que potencializa ameaças à sua integridade física, à segurança da equipe de escolta e à ordem pública, caso autorizada a saída extraordinária", afirmou.

Os riscos apontados pela diretora levaram à transferência de Mayanna para a Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba. Ela está presa sob a acusação de omissão na morte do filho. Em depoimento, o marido afirmou que ela estaria em outro cômodo no momento das agressões, não tendo presenciado o crime. A polícia investiga a suspeita de participação direta dela.

Defesa critica veto à ida ao enterro

A defesa de Mayanna, representada pelos advogados André von Berg, Isabel Cochlar e Juliana Braun Martins, argumenta que impedir a mãe de comparecer ao enterro do filho desconsideraria garantias fundamentais e seria uma punição antecipada. Afirmam que ela é “vítima de um histórico severo de violência doméstica e cárcere privado imposto pelo marido”.

"Queremos registrar que os direitos constitucionais dela estão sendo desconsiderados. Ela é uma mãe cujo corpo do filho está no Instituto Médico Legal", destaca a advogada Isabel. Ela também menciona que a comoção popular não anula o direito de Oliver ter a mãe presente no momento do sepultamento, assim como o direito de Mayanna, que ainda não tem condenação contra si, de participar desse momento final.

Os advogados também criticam o argumento de falta de segurança para vetar a escolta da mulher, afirmando que cabe ao Estado garantir a viabilidade da escolta e a integridade de todos os envolvidos, em vez de utilizar a própria incapacidade para restringir o direito ao luto.

Relembre o caso

O pai do menino, Dandre Jermaine Grayson, já havia sido alvo de investigações por suspeitas de maus-tratos em São Paulo e Santa Catarina. Ele relatou à polícia que agrediu o filho após este se recusar a lhe dar "bom dia". Dandre afirmou ter desferido socos no peito e abdômen de Oliver, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão.

"Foram agressões brutais. A criança estava com muitas marcas", disse à Estadão a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pela investigação. O homem deve responder por homicídio duplamente qualificado. O garoto morreu após três dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).