Ibovespa reage a cenário externo e vencimento de opções nesta sexta-feira
Índice opera em baixa com tensões no Oriente Médio e ajustes no setor de tecnologia.
Com agenda mais esvaziada e o vencimento de opções sobre ações na B3, o Ibovespa abriu sem direção definida nesta sexta-feira, 17, e ainda enfrenta dificuldades em definir um rumo. No exterior, os sinais são divergentes: os índices das bolsas do Ocidente recuam com preocupações no setor de tecnologia, enquanto o petróleo sobe mais de 3% após novos ataques dos EUA ao Irã.
O minério subiu 0,53% em Dalian, na China, o que impulsiona algumas ações do setor metálico, mas não o papel da Vale. Investidores estão à espera da assembleia de acionistas que elegerá o novo presidente do conselho de administração da Vale, marcada para a próxima quarta-feira, dia 22.
"Tivemos o IPCA na sexta-feira passada e dados da inflação americana nesta semana, mas que não empolgaram os mercados nos últimos dias. Dois fatores pesaram - e pesam: a escalada nas tensões no Oriente Médio, com o petróleo subindo, e a correção de empresas do setor de tecnologia", diz Thiago Salomão, fundador e CEO do Market Makers.
Nesta sexta, foi divulgado o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que subiu 0,07% em maio (0,10% no arredondamento), na comparação com abril (+0,51%), contra mediana negativa de 0,20% das projeções.
De acordo com o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, o resultado um pouco mais forte do IBC-Br em maio na comparação com abril e a revisão para cima na taxa interanual contraria um pouco os sinais recentes de outros dados de desaceleração da atividade. "É uma situação adversa. Os juros futuros estão abrindo, mesmo com notícias positivas que poderiam fazer a curva fechar, se apropriar de forma positiva da inflação que está arrefecendo", diz.
Segundo Tavares, o cenário de curto prazo se mostra benigno para que o Banco Central promova novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic no Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto. "Isso aparece na ponta curta dos juros futuros, mas do miolo para frente a indicação é de risco, é para cima. O quadro externo é extremamente incerto", afirma Tavares.
Conforme Salomão, do Market Makers, o IPCA de junho, informado na sexta-feira passada, foi "muito bom" para esvaziar apostas de parada dos juros, com possibilidade de a Selic ceder dos atuais 14,25%% para 14%% ao ano, em agosto. "Só que as projeções para a inflação estão acima da meta", pondera.
No exterior, o recuo das bolsas reflete a desvalorização de ações de chips e outras ligadas à inteligência artificial, em meio a uma liquidação global no setor de tecnologia. Ao mesmo tempo, investidores monitoram os desdobramentos do conflito entre EUA e Irã.
Na quinta-feira, 16, as forças americanas concluíram uma nova onda de ataques contra o país persa. As forças iranianas, por sua vez, responderam com bombardeios contra países árabes do Golfo Pérsico. Foi a sexta noite consecutiva que os dois países trocaram hostilidades. O Irã ainda disse que impedirá as exportações de petróleo e gás da região por causa das ofensivas norte-americanas.
Na véspera, o Ibovespa fechou em baixa de 1,24%, aos 173.825,27 pontos, acumulando queda semanal de 2,27%%. Às 11h44 desta sexta, o Índice Bovespa subia 0,04%, aos 172.886,80 pontos, ante mínima aos 173.319,62 pontos (-0,29%), máxima em 174.342,39 pontos (+0,30%) e abertura estável aos 173.825,27 pontos. A Petrobras subia cerca de 2% e a Vale cedia 0,33%, por exemplo.