Impactos da Lei da Reciprocidade em Tarifas
Especialistas discutem alternativas à Lei da Reciprocidade frente às tarifas impostas pelos EUA.
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas avaliam que a *diplomacia econômica* é uma via mais eficaz para mitigar as novas tarifas dos EUA e apontam que a ação do governo norte-americano também reflete um desconforto com a postura mais assertiva do Brasil junto ao Sul Global.
"O governo brasileiro percorreu todo o caminho necessário para evitar as tarifas unilaterais: disposição absoluta para negociação e diplomacia na defesa dos interesses brasileiros", disse a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
O economista Pedro Faria destaca que "tarifas não são boas para nenhum lado" e nota que sua aplicação deve ser feita em função de uma *política industrial*. Sem isso, ela gera apenas um aumento de tributação, que desencadeia em um aumento de custos pago por toda a cadeia produtiva, incluindo o consumidor final.
Já na visão do advogado e professor de ciência política Rodolfo Tamanaha, a Lei da Reciprocidade tem como finalidade ser uma bandeira da *soberania brasileira* para fins domésticos, demonstrando à população que o governo "está respondendo à altura as provocações externas".
Por sua vez, a professora Juliana Inhasz aponta a necessidade de cautela no uso da reciprocidade por aumentar custos também para o lado brasileiro, que depende muito de produtos importados dos Estados Unidos, em especial, os de alto valor agregado.
Por fim, Diego Pautasso, cientista político, afirma que a assimetria na correlação de forças é o principal problema para o acionamento da reciprocidade e que o Brasil deveria combinar instrumentos diplomáticos e econômicos variados, além de diversificar ainda mais seus mercados.