Iraque pode fechar importante rota no Mar Vermelho após ameaças
Teerã orienta houthis a se prepararem para bloquear o estreito caso haja ações dos EUA contra o Irã.
O Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Golfo de Áden ao Mar Vermelho, tornou-se o mais possível alvo do Irã em meio ao conflito com os Estados Unidos. A agência de notícias Reuters afirmou nesta quinta-feira, 16, que Teerã pediu que os houthis, grupo de rebeldes do Iêmen, se preparassem para fechar a via marítima caso os EUA atacassem a infraestrutura de energia iraniana.
Com 32 quilômetros de largura, o Estreito de Bab el-Mandeb - cujo nome significa "a porta das lágrimas" em árabe - está situado entre o Iêmen, a nordeste, e Djibuti e Eritreia, a sudoeste. Ele é uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde passam cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima globalmente.
A Administração de Informação Energética dos EUA (EIA, na sigla em inglês) estima que cerca de 4,2 milhões de barris de petróleo e derivados passaram pelo estreito por dia no primeiro semestre de 2025, colocando-o em quarto lugar entre os principais "pontos de estrangulamento" do comércio mundial de energia. A passagem também é utilizada por embarcações que transportam outros produtos, como grãos e materiais-primas.
Os houthis controlam a capital, Sanaa, e o noroeste do Iêmen, incluindo o litoral do Mar Vermelho. O grupo já cometeu centenas de ataques contra navios que trafegavam por Bab el-Mandeb, mas a ofensiva ganhou força a partir de 2023, após o início do conflito entre o grupo terrorista Hamas, aliado dos houthis, e Israel. Os rebeldes alegavam que o objetivo era pressionar os israelenses a aceitarem um cessar-fogo - sucesso em outubro do ano passado.
Duas fontes iranianas de alto escalonamento e uma fonte regional familiarizada com o assunto dito à Reuters, sob condição de anonimato, que os líderes iranianos discutiram a possibilidade de bloquear o Bab el-Mandeb caso os EUA atacassem a infraestrutura energética do país e, recentemente, transmitiram uma mensagem aos aliados houthis.
Outra fonte, próxima aos rebeldes, afirmou à agência de notícias que o grupo concluiu os preparativos para atacar navios na via marítima, com a implantação de mísseis e drones próximos ao estreito, e aguardava a ordem para iniciar a operação. Segundo a Reuters, a decisão final será tomada pelos líderes da Guarda Revolucionária do Irã, que já estão no Iêmen.
Essa não é a primeira vez que os houthis ameaçam fechar o Bab el-Mandeb em apoio ao Irã. Em março, a agência estatal iraniana Tasnim afirmou que os rebeldes estariam prontos para assumir o controle do estreito “para punir ainda mais o inimigo”. Na, um oficial iraniano, que não teve a identidade revelada, disse à Tasnim que época os houthis já conseguiram comprovar que fechar a rota "é uma tarefa fácil para eles".
As ameaças levaram a Administração Marítima dos EUA, ligada ao Departamento de Transportes, a emitir um aviso para embarcações comerciais que passam pela região. “Embora o grupo terrorista houthi não tenha atacado navios comerciais desde o acordo de cessar-fogo entre Israel e Gaza em outubro de 2025, os houthis continuam a representar uma ameaça aos ativos dos EUA, incluindo embarcações comerciais, nesta região”, afirmou.
"Embarcações com ligações a Israel, aos EUA ou ao Reino Unido, e qualquer embarque pertencente a uma frota de grupo ou empresa que faça escalas em portos israelenses, podem estar sob alto risco de terrorismo e outras ações hostis por parte dos houthis ao transitarem pelo sul do Mar Vermelho, pelo Estreito de Bab el-Mandeb e pelo Golfo de Áden, até novo aviso", acrescentou. O aviso entrou em vigor em 26 de março e é válido até 22 de setembro.
Um bloqueio do Bab el-Mandeb aumentaria ainda mais a crise energética global, desencadeada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã no primeiro dia da guerra com os EUA. A rota marítima chegou a ser reaberta após a assinatura do memorando de entendimento entre os dois países, no mês passado, mas voltou a ser bloqueada após a retomada das hostilidades no início de julho.