SAÚDE

Prevenção ao HIV avança, mas vacina ainda é desafio para a ciência

Infectologista do HU-UFPI explica as estratégias atuais de prevenção, como PrEP e PEP, e as pesquisas em busca de um imunizante eficaz contra o vírus

Por Ascom HU-UFPI Publicado em 16/07/2026 às 14:39
Ministério da Saúde

Teresina (PI) - A vida após o diagnóstico de HIV/Aids mudou, mas a prevenção continua sendo essencial. A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) são estratégias de prevenção disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), indicadas para situações diferentes: a PrEP é de uso contínuo para pessoas com maior risco de exposição ao HIV, enquanto a PEP é utilizada em caráter de emergência após uma possível exposição ao vírus.

Em entrevista, a médica infectologista do HU-UFPI/HU Brasil, Thallyta Antunes, explica os avanços no tratamento do HIV, a importância da prevenção e os desafios para o desenvolvimento de uma vacina.

Por que, mesmo com novos tratamentos como a PrEP, uma vacina ainda é necessária?

Thallyta Antunes: A PrEP é uma estratégia bastante eficaz de prevenção ao HIV. No entanto, seu uso exige a administração regular da medicação, acompanhamento com profissional de saúde e a realização periódica de exames. Algumas pessoas ainda desconhecem essa forma de prevenção, enquanto outras podem não seguir corretamente as recomendações de uso, o que compromete sua eficácia. Por isso, uma vacina continua sendo necessária, pois teria potencial para ampliar o alcance da prevenção, protegendo um número maior de pessoas e reduzindo a circulação do vírus. Além disso, um imunizante poderia beneficiar pessoas que enfrentam dificuldades para aderir às estratégias preventivas disponíveis atualmente.

O que os avanços da ciência nos últimos anos revelam sobre a busca por uma vacina contra o HIV?

Thallyta Antunes: O desenvolvimento de uma vacina contra o HIV é um dos maiores desafios da ciência porque o vírus apresenta uma alta capacidade de mutação durante sua replicação no organismo. Essa característica dificulta que uma única vacina ofereça uma proteção ampla e duradoura contra diferentes variantes do vírus. Além disso, a capacidade de adaptação do HIV está entre os fatores que tornam o controle da infecção um desafio permanente. Essa complexidade ajuda a explicar por que, mesmo mais de quatro décadas após a identificação dos primeiros casos, ainda não existe uma vacina eficaz contra o HIV. Diferentemente do que ocorreu com a Covid-19, que contou com plataformas de pesquisa já desenvolvidas e características do vírus que permitiram uma resposta vacinal mais rápida, o HIV apresenta particularidades que tornam esse desenvolvimento mais complexo. Apesar disso, os avanços científicos têm sido significativos. Atualmente, as pesquisas mais promissoras buscam desenvolver vacinas capazes de estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater diferentes variantes do HIV, aumentando as possibilidades de uma proteção eficaz no futuro.

Sobre a HU Brasil

O HU-UFPI faz parte da rede HU Brasil desde novembro de 2012. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.