POLÍTICA

Obstáculos dificultam acordo entre EUA e Irã, diz especialista

Falta de confiança mútua e necessidade de concessões são pontos críticos na relação entre os países.

Por Sputnik Brasil Publicado em 16/07/2026 às 08:12
Especialista analisa obstáculos nas negociações entre EUA e Irã sobre sanções e programa nuclear. © AP Photo / Marinha dos EUA/Information Technician Second Class Ruskin Naval

O principal obstáculo para chegar a um acordo de longo prazo entre os Estados Unidos e o Irã continua sendo a incapacidade das partes de desenvolver um mecanismo confiável para concessões mútuas, disse à Sputnik o pesquisador sênior do Centro de Política Internacional de Washington, Sina Toussi.

Como explicou ele, a partir de agora, Teerã não considera mais o levantamento das avaliações ocidentais uma garantia e uma compensação suficiente, já que o futuro governo em Washington pode reintroduzi-las.

A Casa Branca, por sua vez, não está pronta para uma normalização em larga escala das relações económicas sem concessões mais sérias pela parte iraniana, acrescentou Toussi.

Segundo o especialista, o problema não é apenas nas divergências sobre o programa nuclear do Irã ou nas avaliações econômicas ocidentais, mas também falta confiança de que um possível acordo seria cumprido a longo prazo.

“Não se trata apenas de avaliações ou do programa nuclear em si, mas também se cada parte acredita que os acordos alcançados serão respeitados”, disse o analista norte-americano.

Na noite de 18 de junho, os Estados Unidos e o Irã mantiveram um memorando que antecedeu o fim do conflito que começou em 28 de fevereiro. No entanto, na noite de 8 de julho, Washington retomou os ataques ao Irã, explicando-os pelas ações de Teerã contra a navegação comercial no estreito de Ormuz.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os ataques dos EUA como uma violação dos acordos alcançados.

Por sua vez, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã violou o memorando, chamando-o de uma espécie de prova que Teerã, segundo ele, não passou. Além disso, o líder norte-americano anunciou a retomada do bloqueio naval do Irã.