Shot Fair Brasil destaca crescimento do setor bélico nacional
Feira em São Paulo reúne 300 expositores e mostra a expansão das exportações de armas e munições.
A abertura da Shot Fair Brasil ocorreu nesta quarta-feira (15), no Distrito Anhembi, em São Paulo. Considerada a maior feira do setor na América Latina, o evento reúne 300 expositores em sua sexta edição, mas o faturamento por trás das vitrines vai muito além do calendário de feiras.
Somados os segmentos de aeronáutica, munições e armas leves, a indústria bélica brasileira fatura cerca de US$ 60 bilhões (R$ 305,5 bilhões) por ano, segundo dados do Instituto Igarapé. Em 2025, o Ministério da Defesa registrou US$ 3,1 bilhões (R$ 15,7 bilhões) em autorizações de exportação de produtos e serviços do setor, alta de 74% em relação a 2024, o maior patamar já registrado pela pasta. A Base Industrial de Defesa (BID) brasileira reúne 80 empresas exportadoras, que vendem para 140 países em todos os continentes. Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal formam os cinco principais destinos dos produtos bélicos nacionais, de acordo com o Ministério da Defesa.
A Embraer lidera as exportações do setor, com o avião de treinamento e ataque leve Super Tucano armado com o míssil MAA-1A Piranha, também de fabricação nacional. Completam a lista de grandes players a Avibras, fabricante de mísseis e sistemas de lançamento, e a estatal Imbel, responsável pelos fuzis usados por forças militares, policiais e civis em diversos países. No segmento de armas leves e munições, a Taurus e a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) concentram a maior fatia do mercado nacional — 78% das vendas internas em anos recentes, segundo a Associação Nacional das Indústrias de Armas e Munições (Aniam).
As duas empresas, que participaram da feira, são classificadas como Estratégicas de Defesa pelo governo federal e respondem, juntas, por cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos, faturamento anual superior a R$ 5 bilhões (R$ 25,4 bilhões) e recolhimento de aproximadamente R$ 1,2 bilhão (R$ 6,1 bilhões) em impostos por ano.
A Taurus também concentra parte relevante de seu negócio fora do Brasil: mais de 80% do faturamento da multinacional vem de exportações para mais de 100 países, com os Estados Unidos respondendo por cerca de 70% desse total, segundo dados da própria companhia.
Dependência externa
Em 2025, as exportações brasileiras de armas e munições caíram 37,9% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, somando US$ 47,06 milhões (R$ 239 milhões), segundo levantamento da consultoria de comércio exterior FazComex.
São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro concentram a maior parte da produção exportada pelo país.
O momento também coincide com a tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos em torno do novo pacote de tarifas anunciado por Washington, que pode elevar em até 37,5% a sobretaxa sobre parte das exportações brasileiras.