ECONOMIA

Lavrov: Transações entre Rússia e China quase sem dólar e euro

Ministro russo comenta sobre o uso de moedas nacionais nas operações bilaterais em artigo no Kommersant.

Por Sputnik Brasil Publicado em 15/07/2026 às 19:27
Sergei Lavrov discute transações financeiras entre Rússia e China em artigo. © Sputnik / Sergei Guneev / Acessar o banco de imagens

As transações financeiras entre Rússia e China passaram a ser realizadas quase integralmente em moedas nacionais, afirmou nesta quarta-feira (16) o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Em artigo publicado no jornal Kommersant pelos 25 anos do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação entre os dois países, Lavrov afirmou que o uso do dólar e do euro nas operações bilaterais se tornou residual.

"As liquidações financeiras entre nossos países foram quase totalmente convertidas para moedas nacionais, e a participação das transações realizadas em dólares e euros diminuiu para um nível insignificante", escreveu.

Segundo o chanceler russo, a Rússia mantém a liderança no fornecimento de petróleo e gás à China, com entregas "estáveis, confiáveis e previsíveis", enquanto a infraestrutura de dutos entre os dois países continua em expansão.

Lavrov também afirmou que a cooperação entre Moscou e Pequim representa um modelo de relações internacionais baseado na igualdade entre os Estados. Segundo ele, Rússia e China rejeitam a política de "dois pesos e duas medidas" e as sanções unilaterais, postura que considera ainda mais relevante diante do que classificou como uma atuação "neocolonial" do Ocidente.

Papel de Rússia e China na segurança da Eurásia

No mesmo artigo, Lavrov afirmou que Rússia e China atuam como as principais forças impulsionadoras da Organização para Cooperação de Xangai (OCX) e trabalham para ampliar a influência do bloco na arquitetura de segurança da Eurásia.

"Hoje, nossos países lideram os esforços para aperfeiçoar as atividades da organização e transformá-la em um dos pilares da emergente arquitetura de segurança da Eurásia e, de forma mais ampla, da nova ordem mundial policêntrica", defendeu.

O ministro acrescentou que a arquitetura de segurança da região Ásia-Pacífico deve ter como eixo central a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Na avaliação de Lavrov, a estratégia do Indo-Pacífico promovida pelo Ocidente tem como principal objetivo conter Rússia e China.