ECONOMIA

Estabilidade nas taxas de juros em meio a incertezas fiscais

A curva de juros futuros apresentou pouca variação após a aprovação da PEC dos agentes de saúde.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/07/2026 às 18:14
Reprodução / Agência Brasil

Depois de ter ganhado inclinação em boa parte da sessão, na esteira da aprovação da PEC dos agentes de saúde no Senado e da pesquisa Genial/Quaest que mostrou liderança do presidente Lula em cenários de primeiro e segundo turno, a curva de juros futuros perdeu ímpeto e passou a rondar os ajustes anteriores no fim da tarde. O movimento acompanhou a queda maior dos rendimentos dos Treasuries após a divulgação do Livro Bege do Fed e, no cenário local, não teve gatilho claro, segundo agentes.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou a 13,89%, de 13,9%% no ajuste antecedente. Neste trecho da curva, profissionais apontaram alguma influência da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, que indicou atividade mais fraca do que o previsto no setor. A taxa do DI para janeiro de 2029 caiu de 14,041% no ajuste da véspera a 14,025%%. O DI para janeiro de 2031 fechou em 14,245%%, vindo de 14,235%%.

Ao longo de todo o pregão, as taxas operaram sob um jogo de forças do ambiente externo, favorável ao fechamento da curva, e de fatores de pressão trazidos pelo quadro doméstico. Nos Estados Unidos, o núcleo do índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) subiu 0,2% em junho ante maio, abaixo da alta de 0,4%% projetada, corroborando o cenário mais benigno trazido ontem pelo CPI. Já por aqui, os ruídos fiscal e político voltaram a fazer preço.

Nesta manhã, a Genial/Quaest apontou que Lula ampliou a vantagem, dentro da margem de erro, sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Na leitura do mercado, a continuidade do governo atual sinaliza que a política fiscal deve seguir menos austera.

Mas a maior pressão sobre os DIs durante boa parte da sessão veio do plenário do Senado, que aprovou na noite de terça, em segundo turno, a PEC 14/2021, que pode ter impacto fiscal de R$ 27,9 bilhões em dez anos, segundo o Ministério da Previdência Social (MPS). A avaliação é de Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset. "O cenário fiscal fica ainda pior do que o imaginado", disse.

Por outro lado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, relatou nesta tarde que pediu a Alcolumbre "cautela" sobre o momento de promulgar a pauta, uma vez que ainda é preciso fazer cálculos de impactos fiscais, inclusive em Estados e Municípios. "Isso pode ter dado algum alívio à curva. Mas reforço que não está claro o movimento", pondera Costa.

Economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares apontou que, na segunda parte dos negócios, houve uma melhora do cenário prospectivo para a política monetária nos EUA, desencadeada pelo Livro Bege do Federal Reserve (Fed). O documento indicou que os preços aumentaram em nível moderado, enquanto a atividade subiu em ritmo "leve a moderado" em 11 dos 12 distritos do Fed. "A T-Note de dois anos fechou com força, jogando cada vez mais à frente a chance de alta dos juros", comentou.

Além disso, ele acrescenta que o dado de serviços do Brasil de maio, que recuou 0,4%% ante abril, também ajudou a manter a ponta curta bem comportada. Segundo Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, economistas da XP, a perspectiva é de expansão modesta do setor à frente. De um lado, o mercado de trabalho apertado e medidas de estímulo devem sustentar a demanda das famílias no curto prazo. De outro, os juros elevados tendem a limitar uma alta mais expressiva, avaliam.