ECONOMIA

Dólar encerra o dia praticamente estável

Cotação chegou a R$ 5,0785, com influências de fatores internos e externos.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/07/2026 às 17:50
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Depois de rondar a estabilidade ao longo da tarde, o dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira, 15, cotado a R$ 5,0785 (+0,01%). Apesar da continuidade do movimento global de desvalorização da moeda americana, deflagrado na terça pela deflação ao consumidor nos EUA e reforçado nesta pelo recuo da inflação ao produtor, o real exibiu fôlego bem reduzido.

Além de certa acomodação após o rali de terça, houve um aumento dos prêmios de risco em razão de questões domésticas, como a ampliação do favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. Também pesou sobre o real a perspectiva de confirmação, ainda nesta quarta, do tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, embora com uma lista ampliada de exceções, como antecipado ao Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).

"Com esse ambiente externo favorável a emergentes, o real deveria ter um comportamento melhor", afirma o economista Fabrizio Velloni, para quem a ampliação da vantagem de Lula deixa os investidores na defensiva, uma vez que sinaliza a manutenção da atual política fiscal. "O carry e os preços do petróleo ainda dão sustentação ao real, apesar dos problemas internos."

Pesquisa Genial/Quaest mostrou que a aprovação do governo Lula superou a desaprovação. As intenções de voto do petista no primeiro turno passaram de 39% para 40%, ao passo que Flávio Bolsonaro (PL-FJ) oscilou de 29% para 28%. Em eventual segundo turno, Lula tem 45% contra 37% do senador.

Apesar do gás curto do real nesta quarta, o dólar acumula queda de 0,59% na semana e de 1,64% em julho, após valorização de 2,38% em junho. Em 2026, a moeda americana recua 7,48% frente ao real, que apresenta, no período, o segundo melhor desempenho entre as divisas mais relevantes, atrás apenas do peso colombiano.

O head da Mesa Internacional da Mirae Asset, Jonathan Joo Young Lee, ressalta que a imposição de tarifas dos EUA a produtos brasileiros era o principal risco de curto prazo para a divisa local, que ainda é favorecida no ano "por um carry muito atraente, com yields implícitos perto de 13%."

O economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, ainda espera uma eleição "altamente competitiva", apesar da melhora da melhor do desempenho de Lula nas pesquisas, em meio a atritos na família Bolsonaro.

"Os principais riscos para os mercados são um aumento dos gastos públicos por conta das eleições e as tensões comerciais com os Estados Unidos, que podem manter os prêmios de risco elevados", afirma Abadia, em relatório.

Referência do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY recuava cerca de 0,40% no fim da tarde, ao redor dos 100,526 pontos, após mínima aos 100,353 pontos. As taxas dos Treasuries recuaram com o alívio inflacionário e o comportamento mais tranquilo do petróleo, que fechou em ligeira alta.

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) caiu 0,3% em junho, em linha com as expectativas. Já o núcleo, que exclui os itens mais voláteis, subiu 0,2%, abaixo do esperado. Na terça, o índice de preços ao consumidor (CPI) trouxe deflação acima das expectativas em junho.

No Senado americano, o presidente do Fed, Kevin Warsh, alertou que CPI e PPI são medidas imperfeitas da tendência da inflação subjacente e reforçou o compromisso com a estabilidade de preços. As falas do chairman, contudo, tiveram impacto muito limitado na trajetória do dólar.

"O PPI reforça o alívio de terça com o CPI e reduz a pressão para que o Fed eleve os juros no curto prazo, principalmente na reunião do fim de julho", afirma a coordenadora de inteligência e alocação da Avenue, Juliana Benvenuto.