ECONOMIA

Ministério da Fazenda revisa projeção do IPCA para 2026

Projeção do índice de preços ao consumidor é elevada de 4,5% para 5,1%, superando o teto da meta.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/07/2026 às 14:43
Ministério da Fazenda Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Ministério da Fazenda aumentou sua projeção para o IPCA de 2026, passando de 4,5% (no teto da meta) para 5,1%, superando o limite superior da meta. Para 2027, a previsão subiu de 3,5% para 3,6%, acima do centro da meta, que é de 3%.

As informações estão disponíveis no Boletim Macrofiscal, divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta quarta-feira, 15.

A SPE justifica a alta das projeções devido ao aumento das expectativas de inflação, ao espaço para repasse dos preços do atacado para o consumidor e à maior probabilidade de um El Niño intensificado, que podem elevar os índices de preços no segundo semestre.

Por outro lado, fatores como um câmbio apreciado, a política monetária contracionista, as medidas para contenção no preço dos combustíveis e a desaceleração econômica prevista para o segundo semestre atuam para minimizar a inflação, conforme aponta a pasta.

A secretaria ressalta que a crise do petróleo representa um desafio global, com impactos generalizados sobre a inflação e o crescimento. Apesar da recente acomodação nos preços do petróleo e de algumas commodities, os efeitos secundários desse cenário podem levar tempo para se dissipar, especialmente sob um contexto geopolítico ainda marcado por incertezas.

Nos Estados Unidos, a menor dependência externa do petróleo ajuda a atenuar o choque, mas os combustíveis mais caros têm reflexo na inflação, um aspecto que mantém a cautela do Federal Reserve (Fed). Na área do euro, a alta dos preços de petróleo e gás pressionam a inflação e a renda real, levando o Banco Central Europeu (BCE) a permanecer atento aos efeitos secundários. Já na China, a secretaria destacou que os estoques e o controle de preços limitam o repasse de custos no curto prazo, mas conflitos prolongados podem elevar custos industriais e desorganizar cadeias, impactando a inflação ao produtor.

No que diz respeito à inflação de alimentos, mesmo diante da deflação observada em junho, o índice acumulado em 12 meses permanece pressionado por produtos in natura, leite, arroz e feijão, que registraram aumentos acima do padrão histórico.

Relativamente à inflação de bens industriais e serviços, a pasta observa que a aceleração é impulsionada principalmente por aumentos em itens de higiene pessoal. Serviços também enfrentam pressão, especialmente em passagens aéreas, com medidas subjacentes mostrando desaceleração nos últimos meses.

Para 2027, a expectativa de inflação também sofreu revisão para cima, passando de 3,5% para 3,6%. Para os anos subsequentes, a previsão é que a inflação convirja para a meta, projetando-se 3,0% em 2028, 2029 e 2030.

No que se refere ao INPC, a estimativa da Fazenda subiu de 4,6% para 5,3%. Já a previsão para o IGP-DI passou de 4,9% para 5,6% em 2026.