LOGÍSTICA

Crescimento da carga aérea revela nova etapa histórica da logística no Brasil, aponta FuMTran

Por Assessoria Publicado em 15/07/2026 às 14:31
Crescimento da carga aérea revela nova etapa histórica da logística no Brasil, aponta FuMTran

O crescimento de 43% nas exportações brasileiras pelo modal aeroviário no primeiro trimestre de 2026 reacende o debate sobre a transformação da logística aérea no país. O avanço evidencia como o modal, antes associado principalmente a cargas urgentes e operações pontuais, passou a ocupar uma função cada vez mais estratégica nas cadeias produtivas de maior valor agregado.

Impulsionada pela demanda internacional, pelo avanço do comércio eletrônico e pelo aumento da participação das aeronaves cargueiras, a carga aérea ganha relevância em setores que dependem de rapidez, segurança e previsibilidade, como tecnologia, farmacêutico, eletrônicos e componentes industriais. Em um mercado global cada vez mais integrado, a capacidade de entregar produtos com agilidade passou a ser um diferencial competitivo para empresas e países.

Na avaliação da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), esse movimento representa uma mudança importante na própria concepção da logística brasileira. “O transporte aéreo de cargas deixou de ser apenas uma alternativa para situações específicas e passou a integrar a estratégia de competitividade de setores que dependem de velocidade, confiabilidade e conexão internacional” afirma Antonio Luiz Leite, presidente da instituição.

Ao longo das últimas décadas, a evolução da infraestrutura aeroportuária e a consolidação de polos como Manaus, Guarulhos e Viracopos ajudaram a transformar a dinâmica da carga aérea no Brasil. Manaus ganhou protagonismo pela força da Zona Franca e pela movimentação de produtos industriais e eletrônicos, enquanto Guarulhos e Viracopos se consolidaram como importantes portas de entrada e saída de mercadorias de alto valor agregado, cargas sensíveis e operações ligadas ao comércio exterior.

Esse processo também revela uma mudança no papel histórico do modal dentro da matriz logística nacional. “Durante muito tempo, a carga aérea teve uma função complementar em relação aos demais modais. Hoje, ela se tornou uma infraestrutura estratégica para conectar o Brasil a mercados globais que exigem prazos menores, maior previsibilidade e alto nível de integração logística”, destaca Leite.

O avanço da carga aérea, no entanto, também reforça a necessidade de uma matriz logística mais integrada. Embora o modal seja essencial para produtos de alto valor, urgência e maior sensibilidade ao tempo de transporte, sua competitividade depende da conexão eficiente com rodovias, centros de distribuição, terminais alfandegados, portos e demais estruturas logísticas. “Sem integração entre os modais, parte da agilidade conquistada no aeroporto pode ser perdida em outras etapas da operação”, afirma o presidente da FuMTran.

A expansão da carga aérea demonstra que o Brasil reúne condições para ampliar sua presença em cadeias globais de valor, mas transformar esse crescimento em vantagem competitiva duradoura dependerá de investimentos contínuos em infraestrutura, modernização tecnológica, simplificação de processos e integração entre os diferentes modais.