Por que os idosos sentem menos sede?
Especialista alerta para riscos da desidratação na terceira idade
Com o avanço da idade, a percepção da sede diminui, aumentando o risco de desidratação. Geriatra explica por que a ingestão regular de água é essencial para prevenir complicações graves
Beber água é um hábito simples, mas que pode fazer toda a diferença para a saúde na terceira idade. Diferentemente dos adultos mais jovens, muitos idosos deixam de sentir sede com frequência, o que aumenta o risco de desidratação e pode desencadear ou agravar diversos problemas de saúde.
Segundo o médico geriatra Leonardo Lopes, coordenador da Pós-Graduação em Geriatria da Afya Maceió, essa redução da sensação de sede faz parte do processo natural de envelhecimento e ocorre por uma combinação de alterações fisiológicas.
"Com o passar dos anos, o cérebro perde parte da sensibilidade dos osmorreceptores, estruturas responsáveis por identificar quando o organismo precisa de água. Além disso, o corpo passa a armazenar menos água e os rins tornam-se menos eficientes para reter líquidos, favorecendo a desidratação", explica.
Embora muitas pessoas associem a desidratação apenas aos dias de calor intenso, ela pode ocorrer mesmo dentro de casa e durante qualquer época do ano. Entre os principais fatores estão o esquecimento provocado pelo declínio cognitivo ou pela depressão, dificuldades de locomoção que impedem o idoso de buscar água com frequência, o uso de medicamentos diuréticos e ambientes pouco ventilados, que favorecem a perda de líquidos sem que a pessoa perceba.
Sinais de alerta - O especialista destaca que familiares e cuidadores devem observar mudanças físicas e comportamentais que podem indicar desidratação. Os primeiros sinais incluem boca seca, lábios ressecados, redução da quantidade de urina, urina escura e com odor forte, dores de cabeça, cãibras e tonturas.
Nos casos mais graves, podem surgir confusão mental repentina, sonolência excessiva, pressão arterial muito baixa, palpitações e ausência de urina por seis a oito horas, situações que exigem atendimento médico imediato.
A falta de água também representa um risco importante para quem convive com doenças crônicas. De acordo com Leonardo Lopes, a desidratação pode provocar queda brusca da pressão arterial, aumentar a sobrecarga do coração, comprometer ainda mais a função dos rins, elevar os níveis de glicose em pessoas com diabetes e intensificar sintomas de demências, como confusão, agitação e alterações de memória.
Outro comportamento comum entre idosos é reduzir voluntariamente o consumo de líquidos por receio da incontinência urinária ou das idas frequentes ao banheiro durante a noite. No entanto, essa estratégia produz o efeito contrário."A urina fica mais concentrada, irrita a bexiga e aumenta tanto a urgência urinária quanto o risco de infecções", alerta o geriatra.
Para minimizar esse problema, o especialista recomenda concentrar a maior parte da ingestão de líquidos ao longo do dia e reduzir o consumo apenas nas três horas que antecedem o horário de dormir.
Mas, nem só de água vive uma boa hidratação. Além da água, frutas como melancia, melão, laranja, abacaxi e morango ajudam a manter o organismo hidratado. Vegetais como pepino, tomate e alface também contribuem para a ingestão de líquidos. Água de coco, gelatinas, chás claros e sucos naturais diluídos podem complementar a hidratação. Por outro lado, bebidas alcoólicas, refrigerantes, sucos industrializados, alimentos ultraprocessados e o consumo excessivo de café ou chás com cafeína devem ser evitados.
Leonardo Lopes ressalta que familiares e cuidadores têm papel decisivo para manter uma boa hidratação. Entre as orientações estão deixar garrafas ou copos sempre ao alcance do idoso, oferecer pequenas quantidades de água várias vezes ao dia, criar horários fixos para o consumo de líquidos e até utilizar alarmes no celular para lembrar o momento de beber água.
"O ideal é não esperar o idoso sentir sede. A hidratação precisa fazer parte da rotina diária. Em pessoas sem restrições médicas específicas, recomenda-se uma ingestão aproximada de 30 a 35 ml de líquidos por quilo de peso corporal, sempre com orientação individualizada do médico quando houver doenças cardíacas ou renais", conclui.
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