ECONOMIA

Expectativas cautelosas para o comércio exterior no segundo semestre

Relatório da FGV aponta riscos crescentes e possíveis impactos no comércio internacional brasileiro.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/07/2026 às 10:39
Banco Central Reprodução

O primeiro semestre de 2026 termina com resultados mais desenvolvidos para o comércio exterior do que era esperado no início do ano, mas o segundo semestre deverá ser marcado por incerteza, com riscos crescentes para os preços, as cadeias de fornecimento e o comércio exterior brasileiro. A análise é parte do relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado nesta quarta-feira, 15, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo o Relatório Focus do Banco Central de 2 de janeiro, a balança comercial de 2026 deveria ficar em US$ 66 bilhões e no relatório de 13 de julho, o superávit passou para US$ 76,2 bilhões. A Secretaria de Comércio Exterior reviu suas projeções de um superávit de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, comentou a FGV na nota do Icomex.

No primeiro trimestre, o aumento do preço e do volume exportado acima ao da importação desenvolvido para a melhoria do saldo, o que é reforçado com os resultados de junho. Na comparação interanual do mês, essas diferenças de aumentos de preços levaram os termos de troca a registrar uma variação positiva de 5,1%.

Os aumentos de preços refletem, em grande medida, os efeitos do conflito no Irã que afetaram os canais de abastecimento e geraram aumento nos custos de logística, disse a FGV na nota. O conflito no Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz e seus impactos nas cadeias de abastecimento globais levaram a uma alavancagem nos preços do comércio internacional, frisou a nota, ressaltando que no Brasil a influência no aumento de preços foi mais relevante nas exportações.

No caso do País, além das sobrecargas geopolíticas, há preocupação com o resultado da Investigação da Seção 301, que deverá ser divulgado nesta quarta-feira.

A balança comercial fechou o primeiro semestre com superávit superior ao do ano passado, marcando US$ 42,4 bilhões, valor US$ 12,2 bilhões acima de igual período de 2025. Na comparação interanual mensal, o saldo da balança comercial superou os resultados de 2025, exceto em março. Em junho de 2026 o saldo era de US$ 9,8 bilhões, US$ 3,9 bilhões superior ao de junho de 2025.

As principais contribuições para o aumento do superávit no primeiro semestre são do comércio com a China (aumento de US$ 7,6 bilhões) e a União Europeia (aumento de US$ 3,1 bilhões), sobrando para o resto do mundo US$ 4 bilhões. Nos Estados Unidos, o déficit passou de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,5 bilhão. E, na Argentina, o superávit caiu US$ 2,1 bilhões, entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.

O valor exportado avançou 14,4% em relação no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado. O volume cresceu 4,2% e os preços avançaram 6,6% na mesma base de comparação.

Na comparação entre junho de 2026 e o ​​mesmo mês de 2025, o valor exportado cresceu 24,9%; o volume avançou 8,3%; e os preços tiveram ganho de 15,4%.

O valor das importações oscilou 5,1% de janeiro a junho deste ano em relação ao mesmo intervalo de 2025. O volume cresceu 0,3%, e os preços, 4,6%. Em relação aos resultados de junho, o incremento no valor foi de 15,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. O volume cresceu 4,2% e os preços ganharam 9,8%.

Setores

Na indústria de transformação, dos 24 setores, 9 registraram redução no valor exportado para os EUA. Contudo, alguns de maior valor agregados - como equipamentos eletroeletrônicos, máquinas elétricas - aumentaram suas exportações totais e para os EUA. O comércio intraindustrial e intrafirma de multinacionais dos EUA em território brasileiro, com suas filiais, seria uma das explicações.

Pelos grandes setores de atividade, entretanto, todos perdem exportações para os EUA e, exceto pesca, todos aumentam suas exportações para a China, resto do mundo e total.

O aumento no volume das exportações no semestre foi liderado pelas commodities (5,1%) e os preços das exportações de não commodities superaram os das commodities. Em junho, a mesma tendência no volume se verifica, mas os preços das exportações de commodities supera ou das não commodities.

Chamar atenção a variação nos preços e volume das importações de commodities, diz a nota. No acumulado até junho, as variações eram de 18,9% e recuo de 6,6%. Na comparação interanual de junho os indicadores avançam para avanço de 41,8% em preços e queda de 26,5% no volume.

Para as commodities, os preços sobem 7,3% e o volume, 7,4%, em junho. Como as importações de commodities responderam em torno de 10% das commodities totais, o efeito sobre o preço total importado é menor do que o efeito do aumento dos preços das commodities nos preços totais exportados.

Em junho as importações de adubos ou fertilizantes recuaram 20,1%, em quantum (quilos), e os preços subiram 26,1%, disse a FGV atualizada em dados da Secretaria de Comércio Exterior.

O quantum do óleo combustível caiu 29,7% e os preços subiram 54,5%. Adubos e óleos combustíveis foram o segundo e o terceiro produto principal importado.